Bosorelief Fotografias.

PRODUÇÃO AFINSOPHIA.

Embora sendo atributo da natureza como natureza naturada, o homem difere dos outros animais, também naturais, por sua faculdade principal: a Razão. Faculdade que lhe permite sentir e pensar o mundo com o qual ele se encadeia. E não lhe relega ao simples estado de contemplação que lhe tornaria um mero sujeito-sujeitado desativado de vida.

O homem é um ser em contínuo processo de ultrapassagem de si mesmo, mas para concretizar essa ultrapassagem precisou se dimensionar como ser racional, visto que ninguém nasce racional. A dimensão racional é uma produção do homem em constante relação com a objetividade que lhe resulta um ser de história dialeticamente transformador e criador onde a práxis e a poiesis são seus corpos epistemológicos e sensitivos criadores de novas formas ontológicas de existências.

Como é fácil entender, a dimensão racional não é produto da individualidade de um homem, mas das composições de potências de todos os homens que atingiram a dimensão racional. Não adiante afirmar que bastou nascer para ser tomado como homem racional. O homem torna-se racional em sociedade junto com os outros como sujeito ativo de produção de relações sociais que enunciam corpus político, econômico, filosófico, psicológico, sociológico, antropológico, estético e ético. Sem esses corpus não há homem.

Através de sua essência sensitiva e racional, o homem  atinge a dimensionalidade de seu ser, a humanidade. Para o filósofo Kant, a humanidade “significa, de um lado, o sentimento universal de simpatia e, por outro, a faculdade de comunicar-se com a máxima intimidade e universalmente; qualidade que, reunidas, constituem a sociabilidade própria do gênero humano, pela qual se distingue da estreiteza animal”. A humanidade não é só a dimensão do humano, mas a sua sociabilidade traduzida como simpatia íntima universalmente. O que mostra o homem em sua inteireza homossexual, visto que homos significa no grego o mesmo. E todos homens sociabilizados racionalmente são iguais em sua sua humanidade, já que homo no latim significa homem. 

Há que se observar, também, que muitos sujeitos confundem a razão instrumental, a que permite execuções de funções utilitárias, com racionalidade. Porém, não trata-se da mesma dimensão. Um sujeito pode ser exímio instrumentista sem ter se elevado à ordem da racionalidade. No mundo encontram-se milhões de sujeitos com curso superior, mas que não atingiram a dimensão da racionalidade. 

  Outra observação a ser feita é quanto a superstição. Onde há superstição não há racionalidade como humanidade. A superstição é produto do mais baixo grau de inteligência. O grau que não atingiu a dimensão da suspeita. O conhecimento que nasce na criança como produto do que lhe disseram e ela ouviu como verdade e passou a acreditar. O grau que não conhece as causas dos efeitos.  É nesse ter ouvido que a inicia seu acreditar, por não ter atingido o estágio mental lógico, em coisas sobrenaturais que lhe causam medo e, também, dependendo da coisa, que protegem. É aqui que ela ouve pela primeira vez a afirmação de que  há um deus que nos deu origem e nos observa. A criança acredita em função da crença que tem nos adultos, principalmente nos seus pais.

Para a psicanálise, a superstição encontra-se relacionada com as fases pré-genitais da criança, como a fase oral, anal, uretal fálica e edipiana. Mas, é na não superação do complexo de Édipo, momento em que a criança atribui poderes superiores ao pai como autoridade que lhe protege e o livra das ameaças fantasiosas, que ela mais se solidifica, se se desdobrando em toda forma de dependência à uma personagem superior em forma de um deus ou autoridade instituída como superior ou protetora. O que nada mais é do que a simbolização da figura edipiana do pai. Uma projeção deslocada de um Édipo não elaborado. Ou seja, todo supersticioso permanece com um eu infantilizado sustentado por forças da imaginação paralisadora. Daí ser impossível atingir a dimensão da humanidade como racionalidade.

Por tal, é impossível alguém tratar racionalmente às questões dos direitos humanos se não atingiu a dimensão da humanidade. Não atingiu a dimensão da racionalidade para tratar das questões dos direitos humanos como exercício real e ético da humanidade. A memória dos fatos passados confirma essa perversa realidade. Foi sem racionalidade e humanidade que Hitler foi erguido ao poder na Alemanha e parte do mundo. Sem fazer uso de  sua pervertida superstição como instrumento excitador da superstição das massas, ele jamais teria chegado ao podre poder que chegou.

Em síntese, toda superstição tem origem, alimentação e manutenção no medo. Um forte afeto triste.   

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