COMPANHEIRO, FREUD, CÁ PRA NÓS, A COISA ESTÁ NO TEU RUMO: SENTE E PENSA O QUE DISSE A MINISTRA DA ‘GOIABA DE JESUS’

PRODUÇÃO AFINSOPHIA.

O que vier dessa gente, não surpreende em nada. Como diz Tetê Spíndola: “Estava escrito nas estrelas”. Cada enunciado é mais confirmação. Nada de acreditar que ministro tem que ocupar posto de acordo com seus talentos materializados (que palavra comunista, materializados) por suas faculdades sensoriais, intelectivas e éticas, testemunhadas por suas compreensões claras e distintas do corpus político e social do país. Nada disso. Tudo tem que ser na base do “Tem tu é tu mesmo”. Não é necessário conhecer o que é eco-sistema, posto que se encontra em seu próprio sistema-subjetivo. Que importância tem em se compreender o que seja relações internacionais quando se tem suas próprias relações-narcisistas? Que importância de se saber o que seja relações humanas quando se credita, porque nasceu, que se é humano? Quando a dimensão do humano é de outra ordem: da grandeza do terceiro grau de conhecimento, quando se torna a Substância maior, como afirma o filósofo Spinoza?

É, Freud, é assim que a banda toca, mano. Mais uma breve amostra. A ministra do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, pastora Damares Alves, é aquela mesma, que viu Jesus perto do pé de goiaba, não economizou provérbios (publicidade do verbo) para sustentar seu espírito-sacro-pessoal. Efusiva, acompanhada por uma plateia ao gosto de tal evento, gritando (não proclamando, como pede o ritual redentor) “Aleluia”, “Glória a Deus (Perguntaria o poeta sobralino Belchior: “Que Deus?”)! Claro que você sabe, Freud, que Deus. Não por um acaso que você escreveu O Futuro de Uma Ilusão, onde você afirma que a religião é uma neurose coletiva fortalecida por forte sentimentos de culpa sustentada por  um profundo medo nascido das repressões das excitações sexuais que se encontram mantidas no inconsciente e que são sublimadas pelo Eu, em form de sintoma, através de todas as formas de expressões de limpezas, como limpezas religiosas: purificação das almas. 

“Um dos desafios é acabar com o abuso da doutrinação ideológica. Acabou a doutrinação ideológica de crianças e adolescentes no Brasil”

“Neste governo, menina será princesa e menino será príncipe. Ninguém vai nos impedir de chamar nossas meninas de princesa e nossos meninos de príncipe”

   “Meninos vestem azul e meninas vestem rosa”, disse, entusiasmada. 

Declaração ao teu gosto, Freud: questão de gênero definido pela cor, coisa que nem tu pensastes. Perdeu, perdeu, Freud. Viva, Damares! Logo tu que levaste a vida a tentando definir o que era macho e fêmea, chegam as cores a desfazem a dúvida: “O macho é azul e a fêmea é rosa”. Nada de saber que o mundo é preto e branco e que as cores são uma produção da percepção-humana e que envolve o sistema-nervoso-central e o cérebro. Por tal, não se pode pintar o fora. Grande frustração dita humana. A mesma dos que acreditam que o sal é salgado.

Outra boa sacada para tua análise, Freud. A pastora Damares, além de deslocar a pós-modernidade para o imaginário medieval, príncipes e princesas, regressão-lendária, se prontifica como analista-política: “Acabou a doutrinação ideológica de crianças e adolescentes no Brasil”. Ideologia. Que saber. As superestruturas e infraestruturas do sistema capitalista não são os corpos de doutrinação ideológica, Freud? Hitler sabia muito bem. Assim, como o psiquiatra W. Reich. E por acaso, Freud, as crianças e os adolescentes não se movimentam pelas forças de suas energias-libidinais que permitem criar cultura além das que receberam de seus pais? O que significa: crianças e adolescentes são, por suas mobilidades-instintuais, progressistas. Nenhum anacronismo, mesmo fantasioso, às imobiliza. Tudo que tu sabes. Mas, eles, necas das necas.

É certo que algumas ( a minoria ) crianças e adolescentes são imobilizados pelas forças sublimatórias, mas é mais em função da força de suas pulsões e que elas tem medo. Porém, quando elas racionalizarem essas pulsões perante o mundo real, acaba o medo. Ser felizes é só que elas querem, não é Freud. Pelo menos, um pouco de princípio de prazer, não é Freud?  

Pois é, Freud. É assim que a banda toca. Toda vez que um deles se expressa mais confirma que a sensibilidade superior, a inteligência-ativa e  a ética comunalidade só são faculdades e princípios de valores de grandeza da democracia. Parafraseando os católicos: fora da democracia não há sensibilidade, inteligência e ética.

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