COISA DE BOLSONARO: DEPOIS DE PREGAR O ÓDIO EM SUA CAMPANHA, QUE LHE AJUDOU SER ELEITO, ELE DESEJA FELIZ NATAL ÀS “SAGRADAS FAMÍLIAS”

PRODUÇÃO AFINSOPHIA

O filósofo Nietzsche foi um dos que mais concebeu a adulteração realizada, a-historicamente, no conceito evangelho. O significado de boa mensagem, boa nova, foi profundamento transformado em corpus de defesa dos que pretendiam  e  pretendem dominar pessoas pela força do medo. E, assim, a boa mensagem, passou a ser a má mensagem, porém, apresentada pelos escravos e tiranos como boa nova.

Para essa transformação semiótica-sacro-apolítica, Nietzsche chamou de disangelho. Disangelhistas são os que corromperam o sentido-cristão de evangelho. São eles os ressentidos, os da má consciência e os do ascetismo moral. Os que negaram e negam a vida. Todos escravos e tiranos. Todos reativos que precisam do sofrimento das pessoas para simularem que existem, e, desta forma, torná-las prisioneiras. Quando, em verdade, são possuídos pelos mais baixos graus da vontade de potência. Daí, que eles jamais suportariam a vivência singular e original do filho de Maria. Daí, o delírio a necessidade do delírio produzido pela imaginação-supersticiosa.

Por esse corpo reativo, usam somente o nome Cristo para fingir suas realidades tristes. Não suportariam Cristo-Real. Poieticamente transformador. Cuja práxis e poiesis são continuamente criadoras do novo. Nada de mecanismo de defesa de eu neurótico ou psicótico estabelecido como forma de medo, sentimento de culpa, simulado em devoção e prática de observação da ética cristã. Nada de dor sublimada em reverência na dita festa de natal comungada pela sagrada família disangelha, onde tem tudo, no caso burguês, menos Cristo, Maria-José.   

Não precisa conhecer Freud para ter a compreensão que o conceito de Deus saí do complexo de Édipo quando a criança toma o pai (conceito social, mesmo nascendo na família) como autoridade, Lei maior que tem poderes mágicos para lhe proteger. Uma criança educada por um pai oblativo desenvolve um eu-democrático, altruísta, tolerante, cordial, e Deus surge para ela como um ser, também, democrático, socializado em comunhão com todos. Já uma criança exposta à um Pai tirano, desenvolve um eu fraco, apavorado, aprisionado em um imaginário, onde Deus surge como um ser dominador, perseguidor, julgador e condenador. Então, por repetição-especular o adulto (?) se torna também tirânico dominado por seu eu confuso, carregado de ideia inadequadas. E todas as formas de relações sociais estarão ligadas por essa força edipiana castradora. O que significa que todas suas opinião estão confundidas nas imagens bruxuleantes de seu eu-dominado pelo medo.

Quando Marx e Engels escreveram a obra A Sagrada Família, eles levaram em conta esse sentido que a burguesia tem de família. O sentido de classe dominante reacionária e explorador cuja posição reflete a condição alienada dela, usada para sagradamente impor suas forças sobre os trabalhadores. Essa a razão porque tantos indivíduos confundem o conceito de família e sagrado.

  Bolsonaro se refere ao natal e às “sagrada família”, “momento especial” em que se relembra “o nascimento de Cristo” e que assim se contempla “a chegada de um novo Brasil”. Em sua campanha eleitoral para a presidência da República, ele fez uso de práticas que fomentavam o ódio e que serviram para estimular eus também aprisionados na imaginação-supersticiosa amparados em forte sentimento de culpa. Práticas sem qualquer signo experimentado pela singularidade e originalidade de Cristo, filho de Maria.

Hoje, Bolsonaro, através de seu refúgio-virtual, publicou sua mensagem de natal. Cabe ao acessante buscar compreender qual dos dois cristos ele se baseou. É fácil compreender. Até aluno da escola sem partido sabe.  

“É chegado mais um Natal, momento especial onde relembramos com nossas sagradas famílias o nascimento de Cristo.
É com este sentimento, inspirado na família simples que recebeu em um humilde presépio a encarnação do próprio Deus, que contemplamos a chegada de um novo Brasil.

Com humildade, aceitando quem tem no coração a vontade de construir um Brasil melhor, buscaremos nos próximos anos restaurar o sentimento familiar há muito desgastado em nossa sociedade, bem como a paz dentro de nossos lares. Tenhamos todos um Feliz Natal! Fiquem com Deus!”.

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