SOBRE A DECISÃO DO INSIGNE JURISTA AFRÂNIO JARDIM DE ABANDONAR O DIREITO EM VIRTUDE DA PERSEGUIÇÃO A LULA: É ISTO QUE ELES QUEREM

PRODUÇÃO AFINSOPHIA

O filósofo Marx afirma que a vergonha é revolucionária, porque é a cólera contra si mesmo. Um enunciado que não é praticado pela maioria fixada em seus resíduos psicológicos. O jurista ilustre e engajado Afrânio Jardim, depois de 39 anos lecionando Direito Processual Penal e 31 anos atuando no MP do Estado do Rio de Janeiro, diante das posições injustas e tendenciosas do Poder Judiciário em relação a Lula, resolveu abandonar o Direito como forma de protesto para não se sentir semelhante aos que desonram a profissão.

Como todo homem é um ser social, até os associais sabem desta verdade inatacável, a decisão de Afrânio Jardim, deve ser entendida. Entendida, não corroborada. Ainda mais porque trata-se de um jurista de insigne relevância no meio jurídico na comunidade brasileira e internacional, e por se engajar como homem que deve fazer jus ao ato https://youtu.be/Bh33gJ7cQBsde ter nascido, e ter compreendido junto ao filósofo Michel Serres, que todo nascimento é uma singularidade: ninguém nasceu igual a ele antes dele e nem nascera igual a ele depois. Portanto, ai, ontologicamente, o fundamento do Existir-Com.

Que se envergonhe com os comportamentos que negam o existir em comunidade como virtude humana, mas não se pode abdicar de uma causa que exige participação das singularidades tão raras nos tempos da insensibilidade e desrazão que se tomam como meta e certeza da tirania da zona escura. É isto que eles querem. Querem que as singularidades abdiquem de seus devires-históricos que dignificam ontologicamente a humanidade. Como diz o filósofo da democracia constitutiva, Spinoza, o que eles querem é que todo homem e mulher feliz, pelo contínuo aumento de sua potência de agir, deixe de ser feliz para compor com a tristeza deles, mundo da tristeza de quem é continuamente afetado por corpos maus que causam a baixa potência de agir. Corpos que não atingiram a dimensão da virtude que é o bem.

Afrânio Jardim tomou uma decisão, mas seria melhor que ele observasse atentamente o Jardim e se deixasse afetar pelos corpos que formam esse corpo natural que só movimenta a alegria como criação-virtuosa da vida. Onde não predomina o pathos, a paixão como afeto triste, próprio das tiranias. 

O compositor, poeta Gonzaguinha, não sabemos se ele conhecia Spinoza, tem uma música chamada Eu Nem Ligo, onde alguns versos nunciam: Eu nem ligo, nem esquento a cabeça, vou com força nas coisas que eu quero e devo fazer. Eles querem que eu me aborreça, e prenda nas cercas do seu circo mortal”.

É isto que eles querem. 

Aqui a letra a voz de Gonzaguinha inteira.

Eu Nem Ligo

Gonzaguinha

Eu nem ligo
Nem esquento a cabeça
Vou com força nas coisas
Que eu quero e devo fazer
Eles querem que eu
Me aborreça, estremeça
E me prenda nas cercas
Do seu circo mortal

Eu prossigo
E não perco a cabeça
Vou traçando as palavras
Como eu quero e devo traçar
Eles querem que eu
Me afobe e confunda
Mas eu ponho nas sombras
Do seu circo mortal

Tem que ser
Da largura do arame
O elemento é preciso
Estrutura é vital
Eu sou
Da largura do arame
O elemento é preciso
Estrutura é vital


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