IBGE
De 2014 a 2017, país “ganhou” 6,2 milhões de desempregados e 1,2 milhão de informais. Brancos ganham 72% a mais do que negros e homens recebem 30% a mais que mulheres
por Redação RBA publicado 05/12/2018.
TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL

Desemprego entre pretos/pardos, historicamente superior, atingiu maior diferença, com taxas de 14,7% e 10%, respectivamente

São Paulo – No mercado de trabalho, o desemprego subiu para 12,5% em 2017. Era de 6,9% em 2014. Ou seja, aumentou significativamente depois do impeachment. São 6,2 milhões de desempregados a mais no período, para 13,1 milhões. Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada hoje (5) pelo IBGE, que mostrou aumento da pobreza no ano passado. 

O desemprego entre pretos/pardos, historicamente, sempre foi maior que o de brancos. Mas em 2017 atingiu a maior diferença. Essas taxas foram de 14,7% e 10%, respectivamente.

A taxa de desocupação cresceu em todas as regiões no ano passado. Chegou a 14,7% no Nordeste (ante 8,5% em 2014). Passou de 7,5% para 11,9% no Norte, de 7% para 13,3% no Sudeste, de 4,3% para 8,3% no Sul e de 6% para 10,5% no Centro-Oeste. Também subiu em todas as faixas etárias, atingindo 22,6% entre os que têm de 14 a 29 anos. E pela primeira vez ultrapassou os 4% entre as pessoas com 60 anos ou mais. Até 2014, ficou abaixo de 2%.

O trabalho informal atingiu 37,3 milhões, 40,8% da população ocupada, ou dois em cada cinco trabalhadores. São 1,2 milhão a mais desde 2014, quando a informalidade atingia 39,1% dos ocupados.

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O salário médio dos trabalhadores brancos foi de R$ 2.615 no ano passado, 72,5% a mais do que o recebido por pretos e pardos (R$ 1.516). Já os homens (R$ 2.261) ganhavam 29,7% a mais que as mulheres (R$ 1.743).

O rendimento médio habitual (R$ 2.039) cresceu 2,4% em termos reais de 2012 a 2017. Empregados sem carteira assinada recebiam R$ 1.158, o equivalente a 56,8% dos que tinham carteira (R$ 2.038).

O número de trabalhadores cresceu 3,1% de 2012 a 2014, caindo 1,1% nos três anos seguintes. Considerando todo o período (2012 a 2017), as atividades que mais perderam mão de obra foram agropecuária (-15,9%), administração pública (-12,14%), indústria (-7,9%) e construção (-6,4%). Os serviços tiveram comportamento oposto, recuando 2,9% até 2014 e crescendo 3,7% depois.