“Há um Judiciário que perdeu a imparcialidade e se tornou parte de um processo de destruição de um projeto”, disse o ex-ministro

Foto: Elza Fiuza /Agência Brasil

O militante histórico do PT e ex-ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da Repúbica, Gilberto Carvalho, em longa entrevista para a BBC Brasil que foi publicada nesta quarta-feira (7), revelou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes disse a ele que o processo do tríplex do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não para de pé.

“Não tenho dúvida nenhuma de que o processo contra o Lula foi um processo montado para tirá-lo do jogo. São absolutamente ridículas as acusações contra o Lula a ponto de um juiz do Supremo como o Gilmar Mendes dizer para mim pessoalmente: ‘o processo do tríplex não para de pé’. Não sou eu que falei isso. Qualquer juiz sabe disso. Só não agiram antes porque não queriam fazer interferência no processo eleitoral”, disse.

Sobre o juiz Sérgio Moro aceitar participar do governo de Jair Bolsonaro (PSL), Carvalho disse: “Essa notícia é apenas a confirmação de tudo que nós tínhamos falado. Há um processo de um Judiciário que se tornou acusador. Um Judiciário que perdeu a imparcialidade e se tornou parte de um processo de destruição de um projeto. É só isso”.

Carvalho diz ainda que “ele (Moro) aceitando ou não, para mim não importa muito. O fato de o Bolsonaro convidá-lo é apenas a consolidação de que ele tem parte no processo e que eles conseguiram tirar (Lula da eleição), nos derrotaram desse ponto de vista”, disse.

Sobre Moro, Gilberto afirmou que ele é “uma parte importante do Judiciário, aí incluída a segunda instância, estão afundados até as botas nessa ação de destruir o nosso projeto, e não é pelos nossos erros, é pelos nossos acertos: em função de nossa autonomia em relação aos Estados Unidos, o ferimento dos interesses das petroleiras no pré-sal, o ferimento de interesses do sistema financeiro com as medidas que a Dilma tomou sobretudo (de tentar reduzir os spreads bancários)”, disse.

Leia a entrevista completa na BBC Brasil