NÃO HÁ NADA DE ESTRANHO NA ACEITAÇÃO DE MORO PARA SER MINISTRO DE BOLSONARO: TRATA-SE DA MESMA SUBJETIVIDADE

Produção Afinsophia.

Todos os democratas que se surpreenderam com a aceitação de Moro ao cargo de ministro de Bolsonaro, são ingênuos políticos. Não entenderam que a subjetividade que predominava no pré-golpe, passando pela concretização do golpe, a prisão de Lula e a eleição de Bolsonaro, é a mesma. Nenhum personagem desta subjetividade é diferente em suas ideias, interesses e objetivos. Todos querem o poder de qualquer forma.

Não querem o poder para atuar para realizarem políticas democráticas que beneficiem a sociedade de modo geral, principalmente as classes mais excluídas. Querem o poder como satisfação de interesses pessoais e firmeza egoica: vaidade. Tudo que o sistema capitalista oferece como ilusão de segurança existencial. Daí, a crença bem difundida que o capitalismo em sua forma econômica e em sua forma capitalística, como diz o filósofo-psiquiatra Guattari, o mundo-simulado da sociedade de consumo, é a subjetividade real. Quando não passa de alimentador de ilusões dos que sofrem de esgotamento de receptividade, como afirma Freud. Os que se habituaram a ser o produto da subjetividade a que foram cristalizados, serializados e estratificados.

Moro ao aceitar sua indicação ao cargo de ministro concedido por um personagem da extrema-direita que foi eleito propagando a violência e o culto à tânatos, não se importou com a afirmação que fez no passado “que jamais entraria para política”, porque era esse seu plano narcísico: dilatar seus objetivos pessoais. Por isso, não se preocupa se vai servir um governo fascista de extrema-direita ou se serviria um governo de direita. Caso houvesse sido um direitista o eleito. A afirmação de Bolsonaro de que Moro parecia um universitário recebendo seu diploma, confirma sua meta. Mais ainda com Moro afirmando que se sentia honrado com o convite. 

Depois de todos os atos arbitrários que o povo brasileiro experimentou desde a concretização do golpe, e continua experimentando, não há lugar para ingenuidade política de democratas. A subjetividade determinada pelo agenciamento de enunciação coletiva capitalista, é bem evidente para que ainda persista ingenuidade. 

Como diria o filósofo social, Rui Brito, eles todos, entre si, estão certos. E aos democratas que não estão entre eles, cabe a práxis e a poiesis da inteligência, sensibilidade, ética, coragem, ternura e humor como forma de aumento da potência agir politicamente. 

 

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