Produção Afinsophia.

A aula é um ato político, afirmam os filósofos Deleuze e Guattari. Um ato político no sentido claro e distinto de ato e política. Ato como ação que afeta a realidade estabelecida preparando-a para transformações. E política como transformação do estabelecido através da práxis e da poiesis que revela o novo. 

A política é a fundamentação ontológica da existência humana. Ninguém existe fora da política, mesmo os alienados que afirmam não gostar de política. Que em suas alienações confundem e a sintetizam como partido político, que, em verdade, é apenas um corpo social-político. Reflexo da sociedade civil.

Consciente e engajado nesse enunciado, o professor-educador sabe que seu exercício ontológico educacional é vivenciar, junto aos educandos, o conteúdo programático determinado pelo Estado, como fundamento do ensino, os saberes estabelecidos, e realizar novas experiências que transcendam estes saberes ensinados. O que significa uma meta-educação: ir além do posto como realidade irredutível produzindo o novo como novas formas de sentir, ver, ouvir e pensar. Como diz o filósofo Foucault, ir alem das palavras, frases e sentenças. Tudo que anima as existências do professor-educador e do educando que têm da vida a vocação para existir como ser social-político. E vivencia a escola como território de trocas criativas, produtoras de singelas alteridades, solidariedades, tolerância e humanização.

Já, o professor agente do saber-imóvel, sendo apenas sujeito-sujeitado pelos agenciamentos coletivos de enunciações determinados pela semiótica do sistema capitalista-paranoico, é apenas um ser-fantasmado do discurso do mesmo. Sua aula não passa de mera tautologia desértica dos conteúdos programáticos. Repetição do lhe impuseram como verdade teórica. Sua função é apenas instituir o educando nos enunciados estabelecidos pelo Estado para que ele tenha seu desejo e seu lugar capturado pela ordem dominante e se tornar um replicante do que lhe foi oferecido como verdade insofismável. Pura clonagem da ideia opressora que ele acredita, cultua e projeta no educando para anemizar sua potência-vital. O que causa pavor à toda tirania.

Politicamente, o professor-educador ser social-político, é um democrata. Em tempo de eleição, com seu modus de ser ontologicamente engajado e responsabilizado pela humanidade, ele vota em candidato cujos princípios são democráticos e defendem os valores que dignificam a existência humana tendo a liberdade como condição sine qua non para efetivação da educação como processo de sociabilização e racionalidade humana.

Alienado do contexto real do mundo, o que lhe faz reacionário e indiferente ao processo político da existência autêntica, o professor agente-imóvel, em tempo de eleição, se identifica com a ideologia-molar: aquela que promove a imobilidade da vida por pavor do novo. Capturado pela ideologia-molar, ele faz a transferência de sua interioridade frágil e covarde, como forma de projeção, ao candidato que acredita ter a força suficiente para impedir o desabrochar do novo que surge para si, como ameaça aos seus tipos psicológicos exteriorizados em clichês e esteriótipos neuróticos e psicóticos. Esse tipo de professor não tem qualquer consciência de classe. E nem mesmo de categoria. Ele só é tido como professor em função de sua graduação no magistério outorgada pelo Estado. E em razão de ter um salário que o classifica como profissional do ensino que tem seu tempo comprado pelas instituições pública ou privada.  

 O que os filósofos Deleuze e Guattari afirmam, é que em qualquer dos dois tipos de professores, a fundamentação política se encontra como consciência coletiva. A aula é sempre um ato político seja democrático ou tirânico. Embora o filósofo Platão pregasse que política é forma harmoniosa de governar e administra as coisas públicas e o Estado.