Produção Afinsophia. 

O estudante de medicina, em sua formação médica, vivencia várias disciplinas que são fundamentais para seu saber e dizer profissional. Entre elas, a psiquiatria. Nas aulas de psiquiatria o estudante não só aprende o que é neurose e psicose, como também aprende como se formam essas enunciações mentais. E nessa vivência, aprende a diagnosticar os seus sintomas refletidos na sociedade.

Aprende o discuso teórico e prático da psicanálise apresentando a topologia da mente dividida em Inconsciente, Ego e Super-Ego. Passa a entender que o Ego nasce do Inconsciente, topos psíquico do início da vida, onde são guardados os prazeres e desprazeres das experiências oral, anal, fálica, edípica e latente em formas de traumas e repressão da instinto-libidinal. O material-psíquico que vai instituir a vida adulta em seus enunciados de normalidade, neurose ou psicose, onde é destacado o papel do Super-Ego como agente-moralizante: produção do Complexo de Édipo-Pai.

Uma vivência primária persecutória, castradora, julgadora, condenadora (delírio burguês) propicia a elaboração de um Ego frágil, alucinante e delirante, deslocado do Princípio de realidade sob o império de um Super-Ego tirânico que se expressa de duas formas: submisso ou opressor. Dominando estes saberes o estudante de medicina pode diagnosticar o que seja o sociopata. O sujeito-sujeitado como ódio-social.

    Ao entrar em relação com Freud, o estudante aprende que para ele existem duas forças antagônicas: Eros=Amor, a Vida, e Tânatos, a Morte. Enquanto Eros luta pela harmonização da vida como práxis e poiesis criativa, Tânatos luta pela destruição de tudo que é vida. Na perspectiva da psicopatologiassocial, Tânatos é apresentado como os estados paranoicos-destruidores sintomatizados como Erosfóbico: aversão à Vida. Politicamente, ódio à democracia. O que significa que o sujeito-sujeitado à Tânatos, agente-tanático, se identifica com a violência em sua estupidez, odeia mulher (mesmo tendo mãe, irmã, esposa, filha), negro, índio, LGBT e outras expressões sociais de democracia. Odeia a liberdade, porque, como escravo, tem pavor do que é livre. Tem pavor dos afetos alegres (Spinoza).

Ao final de seu curso, o estudante, agora médico, se encontra constituído não só da certeza da necessidade de seus saberes para a sociedade, como um de seus representantes (Marx), como também de seu engajamento profissional ético fundamental para sua relação com o mundo.

Então, ele pode distinguir o que é saúde e o que é patologia. Vocacionado, pode diagnosticar o que cria e harmoniza e o que destrói e disjunta. Caso tenha atitude contrária, seu curso é uma fraude e ele é um farsante. Deveria, em nome da sociedade, antes de fazer o curso de medicina, se submeter a uma psicoterapia, para não negar Hipócrates.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *