Produção Afinsophia.

Para o filósofo holandês, Spinosa, existem, entre as ideias, as ideias claras e ideias confusas. As ideias claras são aquelas que apresentam os seus enunciados de forma intelectivelmente entendível. Em toda sua forma e conteúdo, como essências e existências. Como essências podem ser analisadas e compreendidas pela ação da inteligência. E como existências podem ser percebidas pelos sentidos e confirmadas como representações. O mundo real é composto de ideias claras.

Já as ideias confusas são aquelas que não se apresentam clara e distintamente pelo sujeito que lhe faz uso. Elas apresentam corpos fundidos entre si impedindo a percepção e seu conhecimento intelectivelmente. Por serem confusas elas são usadas pelo sujeito somente como consequência. O sujeito não conhece suas causas. São ideias que servem de suporte a superstição e contribuem para a mistificação e mitificação do mundo. Essas ideias servem de suporte a todo tipo de crença sobrenatural, e carregam forte componente moral saído de seus corpos abstraídos. São ideias que povoam as consciências psicóticas. Principalmente as consciências fundidas por fictícios elementos-religiosos. São ideias que sustentam os afetos tristes como o ódio, a inveja, a vingança, a ambição, o orgulho, a covardia, a hipocrisia, a violência, a traição, o medo, a a arrogância, o autoritarismo, a tirania, a escravidão, entre outras que sempre diminuem a potência de agir dos que as cultuam.  

Como a politica é práxis e poieses produzida pela racionalidade social, grau de percepção e inteligência superior daqueles que atingiram, de acordo com Spinoza, o segundo grau de conhecimento, aquele em que o sujeito conhece as causas dos afetos, a política fora desse grau de conhecimento não passa de abstração, dissipação, impulsionada pelas ideias confusas. É o que ocorre com a maioria dos representantes dos três poderes em seus estamentos. A maioria é dominada pelas ideias confusas, embora saibam usar as lógicas pragmáticas de suas corporações como reação burocrática.

Foi nessa condição que o filho do candidato da extrema-direita que prega o ódio e a violência, e participou ativamente no golpe, Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, deputado estadual, pelo Rio de Janeiro, depois de saber do atentado sofrido pelo pai afirmou que “acabaram de eleger o presidente, vai ser no primeiro turno”. Outra pessoa, movida por ideias claras, ficaria preocupada pelo estado de saúde de seu parente, amigo, ou outra pessoa, e não estaria especulando ganhos pragmáticos com a situação. Fato que mostra a forma abstraída, dissipada, que o filho tem do pleito eleitoral totalmente fora do sentido político de democracia. Aproveitar um atentado para fazer projeções gratificantes em cima do mesmo. Enquanto os outros candidatos, seus oponentes, ficaram preocupados com o estado de saúde do candidato do ódio, e ainda se posicionaram contra o atentado pedindo investigação. 

Porém, apesar de seu interesse especulativo, o candidato da extrema-direita, Bolsonaro, não ganha nem no primeiro nem no segundo turno. Suas ideias confusas impedem que os eleitores que têm seus livres arbítrios que fazem com que suas escolhas sejam produzidas por seus sentidos e inteligências em contato com o princípio de realidade social em que vivenciam o mundo, não votaram nele. É neste quadro ontológicos que os eleitores do PT votarão em seu candidato, Lula/Haddad, os do Alckmin, nele, os de Ciro, nele, Marina, nela, Boulos, nele. Ele diz que vão buscar votos nos nulos e brancos. Ora, ora, brancos e nulos também saíram de escolhas. É possível que algumas pesquisas mostrem um crescimento do pai, mas não vai conseguir elegê-lo.

Como diz o filósofo Sartre, os dados já foram lançados! E como diz a democracia: no jogo político-real não há blefe!