Produção Afinsophia.

 

Produção Afinsophia.  

Necessidade é o que falta. Quem necessita precisa do objeto que pode saciar sua necessidade. Uma pessoa com fome necessita de alimento para saciar sua fome e se sentir satisfeita. O inseguro vaidoso, como todo burguês, necessita da aprovação e do reconhecimento dos seus pares para se sentir seguro e se iludir que é amado.

     Tanto no plano biológico como no econômico, psicológico, social, moral, a necessidade se faz presente nas pessoas. Tudo em graus variados. Dependendo da pessoa, dependendo da classe, dependendo do estar-no-mundo. Uma pessoa cujo estar-no-mundo é irresponsavelmente apolítico, a-histórico, tem maiores necessidades produzidas pelo sistema que acredita como real princípios de realidade. Já uma pessoa que fez a crítica do sistema dominante tem responsabilidade política e histórica confirmadoras de seu estar-no-mundo singularmente autêntico. Tem necessidades autenticamente humanas.

    Por força do lunpem-judiciário, Lula foi condenado sem qualquer prova que obrigasse tal punição. Um fato que qualquer estúpido da extrema-direita sabe. Como sabe, também, que a condenação foi uma forma de punir. Uma necessidade. O anti-gozo da lei-punidora. Punir é não gozar, não afirmou Foucault. Que pena. Mas Lacan afirmou. Entretanto, a psicanálise sabe que os punidores são os que foram muito bem punidos na infância. O judiciário encontra-se repleto de punidores que, impedidos de gozar em natural, deliram em um gozo punitivo contra os que condenam. O que leva ao entendimento de que se gozar é a meta do homem-animal, os punidores jamais poderão ser tidos por homens e mulheres, visto não alcançarem a meta do gozo. Como dizem os lacanianos: a quase-morte que o gozo possibilita como necessidade ontológica.

   Por isso, se sabe que o caso de Lula, como ente democrático, ente de soberania e Estado de Direito não se reduz só ao lunpem-judiciário. Ele vai além, porque os punidores não são só os agentes desse estamento-judiciário. Há punidores por todos os lados. Espalhados pela sociedade total. Se que se pode chamar de sociedade total uma condição psicopatológica como o que representam os punidores. A mídia de mercado é um dos corpos punidores. Agora, em tempo de eleição ela tenta exercer sua psicopatologia contra Lula, proibindo-o de participar dos debates patrocinados por ela. Não satisfeita em punir a sociedade com sua psicótica grade de programação, ela tenta ampliar suas garras em perseguição a Lula.

   Anti-gozo próprio dos delirantes. Lula não precisa da mídia de mercado com sua crença de universalização da dor, como a dor universal que pretende o capital. Existem dois corpos autênticos do Existir que afirmam por que Lula não necessita dela. Um, o estar-no-mundo de Lula. O Sapo Barbudo sempre exerceu uma vivência comprometida ontologicamente com o existir-coletivo. Nunca se acovardou diante da realidade humana. Sempre entendeu, com Protágoras, que o que é humano não lhe é estranho. Por tal, nunca usou subterfúgios, fugas, trapassas para negar a existência e colocar em seu lugar uma nadificação-simuladora como faz o burguês cujo pavor da existência lhe coloca como punidor dos que têm o estar-no-mundo comprometido. Outro, trata-se da Potência da Multidão o que a mídia de mercado não consegue capturar para mantê-la refém. 

    A Potência da Multidão é o Devir-Povo o que movimenta a vida. Tudo que não pode ser capturador por uma semiótica-paranoica-dominante. Sempre transcende em si mesmo. É sempre a priori às forças dominadoras das instituições como burocracia, corporação, elementos mediadores do Estado. Abstrações hegelianas que se tomam com racional-real. Como a priori às estruturas-dominantes a Potência da Multidão, Devir-Povo, entende de delírio-midiático, já que foi ela quem criou a imprensa, como afirma Marx. Conhecedora dessa verdade-política-social-comunicacional, ela não se submete à sua força.

     Desta forma, Lula não necessita da mídia de mercado. Ele é satisfeito por seu estar-no-mundo comprometido e pela Potência da Multidão, Devir-Povo, da qual ele é partícula-política produtora do movimento como democracia. Lula será eleito – ou Haddad – porque é o verdadeiro racional-real e não uma abstração que alimenta a dor da mídia de mercado-paranoico.

     Lula não necessita da mídia de mercado, ela que necessita dele para se sentir elevada. A elevação que jamais terá. Uma auto-condenação provocada por sua sordidez golpista. Não há debate democrático em mídia-golpista. Debate em mídia-golpista é aberração comunicacional, já que a democracia é corpo-coletivo produzido pelo diálogo. Na mídia golpista não há diálogo. Só há a afasia dos golpistas: a mudez sem ressonância-política-social.