DEFENDENDO A LAVA JATO, A MINISTRA CARMEN LÚCIA DIZ QUE “A POLÍTICA É ESPAÇO DE PAIXÕES E O DIREITO O ESPAÇO DA RAZÃO” NEM UM NEM OUTRO

Produção Afinsophia.

Resultado de imagem para imagens da ministra carmen lucia

   A semiótica dominante é o precípuo instrumento dos que ainda não desconfiaram que a aparência não revela a essência ontológica do existir. É a semiótica que serve de verdade para os que ainda não entenderam o filósofo Nietzsche quando ele nos lembra que só devemos falar do que ultrapassamos. Nós ainda nos enganamos, por medo, com uma linguagem que só oculta e não nos permite ultrapassar o que falamos.

     A ministra, presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra que não colocou em pauta o julgamento da prisão em segunda instância que poderia tirar Lula da injusta prisão, afirmou ontem, sexta-feira dia 27, defendendo a Lava Jato como operação amparada pela Constituição, segundo ela, que “a política é o espaço das paixões e o Direito é o espaço da razão”. Se partirmo para o entendimento do enunciado da ministra sustentado pela semiótica dominante, a semiótica que oculta, pode-se afirmar que ela só reverberou o senso comum com pitada insossa do idealismo hegeliano.

    Vejamos. O filósofo da Escola de Frankfurt, Habermas, inicia seu texto Técnica e Ciência Enquanto Ideologia, oferecido ao seu camarada, filósofo Herbert Marcuse, com o seguinte enunciado: “Max Weber introduziu o conceito de “racionalidade” a fim de determinar a forma de atividade econômica capitalista, das relações de direito privado burguês e da dominação burocrática. A racionalização quer dizer, antes de mais nada, ampliação dos setores sociais submetidos a padrões de decisão racional”. O que significa que toda forma de raciocínio ou escolha individual ou coletiva nesse sistema não é nada mais do que produto da ideologia capitalista. Inclusive o Direito. É o que se chama de racionalização coletiva. Até uma ida ao shopping é racionalização, porque o gosto e o shopping fazem parte dessa “racionalidade” que Max Weber apresenta. É a racionalidade como dominação política, como afirma Marcuse. Agir racionalmente-com-respeito-a-fins. Fins da ideologia capitalista como “racionalidade”.

      No plano epistemológico-filosófico Razão não tem qualquer semelhança com a razão dessa “racionalidade”. A Razão é um corte no estabelecido como princípio de realidade da ideologia burguesa. Razão ultrapassa a aparência da racionalidade como ideologia, já que a racionalidade burguesa tem como fim preservar e defender os discursos das instituições que são os aparelhos ideológicos do Estado burguês. Não há Razão na justiça no contexto dessa racionalidade. O poder judiciário, no sistema capitalista, existe para impedir o rompimento dessa racionalidade. A ministra também afirmou que “a culpa da corrupção não é do juiz”. Não entende que a “racionalidade” mostrada por Max Weber já é corrupção. Nietzsche diz que é degenerado aquele que tem o espírito ou instinto corrompido. Ele quer dizer quem uma sociedade composta de ressentido, a má consciência e o ascetismo religioso predomina a corrupção. Por tal, Razão para Nietzsche não é o agir-racionalmente-com-respeito-a-fins.  Fins determinados já a corrupção do desejo. Por isso o que mais falta na política e no direito é desejo. Talvez dissesse Lacan.

    Quanto as paixões da política, estas também refletem a mesma racionalidade instituída como verdade. Raciocina não como paixão enunciação de pathos, afetos-criativos, mas pathos-reativos, como afirma o filósofo Nietzsche. A Política não se encontra na política que a ministra se refere. Encontra-se aquém como corpo-virtual que será sempre atualizada pela práxis (ação) e a poiesis (criação). O que muda continuamente. A Política é a Ética-Social da Democracia, se extrai do Tratado Político do filósofo Spinoza. É por essa potência-comunalidade que o Poder é o que se move como Constituinte. Como produção do povo, como nos mostra Marx. 

     O filósofo Deleuze diz, sobre a arte de escrever literatura, que o escritor não deve escrever com suas neuroses. Pode-se parafrasear o filósofo francês e dizer que para a Democracia não se pode legislar e nem julgar com suas neuroses. Pegando levemente a psicanálise, o golpe foi nada mais do que produto das neuroses dominantes e também de psicoses-sublimadas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *