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A nova rodada de pesquisas do Datafolha reafirma o que todos sabem e, na grande imprensa, quase ninguém admite: Lula tem todas as razões do mundo para manter sua candidatura e corresponder ao desejo de uma larga maioria dos eleitores brasileiros.

Mais importante que o cenário em que se pergunta aos brasileiros qual seria seu candidato – onde Lula mantém os 30% dos levantamentos feitos desde a sua prisão, em abril – são as simulações de 2° turno, nas quais onde os eleitores fazem uma opção mais clara e induvidosa. Nelas Lula, passo a passo, vai se afirmando que é, sem sombra de dúvida, aquele que a população quer e precisa no comando do país.

Os 49% que obtém quando confrontado a Alckmin ou Bolsonaro, ou os 46% que tem ante Marina representam, considerados os votos válidos, 60 a 63%, o mesmo grau de apoio que Lula obteve nas eleições de 2002 e 2006, quando teve 61% dos votos no segundo turno.

Se ninguém duvida que aquelas foram votações incontestáveis e que o habilitaram a dirigir o país com força política para fazer as administrações que nem seus opositores se atrevem a questionar, porque isso não aconteceria agora?

O fato indiscutível é que agora, tanto quanto antes, formou-se e consolidou-se uma vontade coletiva, que está prestes a ser violada e confrontada.

O país vive a iminência de ser lançado a um desastre institucional, caso se confirme a exclusão do ex-presidente das urnas. Na melhor das hipóteses, a situação dúbia de eleger-se alguém claramente comprometido a ser seu intérprete no poder, com todas os potenciais de conflito que isso traz, porque legitimidade é algo que se tem pessoalmente e que se perde facilmente quando se a toma por empréstimo.

O próximo presidente será, em qualquer das “soluções” que se encontre diante do absurdo em que a tirania judicial nos lançou, “aquele que é porque não deixaram o Lula ser”.

Isso não pode terminar bem, não mesmo. Pois o que nasce como farsa muito raramente não termina como tragédia.