Lideranças partidárias e de movimentos populares discursaram em nome do ex-presidente em ato político em Minas Gerais

Redação*

Brasil de Fato | Contagem (MG)

"Tenho certeza que podemos reconstruir este país e voltar a sonhar com uma grande nação", escreveu Lula em carta lida por Dilma no ato - Créditos: Ricardo Stuckert
“Tenho certeza que podemos reconstruir este país e voltar a sonhar com uma grande nação”, escreveu Lula em carta lida por Dilma no ato / Ricardo Stuckert

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O Partido dos Trabalhadores lançou oficialmente a pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva a presidente na noite desta sexta-feira (8), em Contagem, Minas Gerais. Cerca de 3 mil pessoas acompanharam o ato político no auditório do hotel Actuall Convention.

O ex-presidente, detido há dois meses na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, foi representado no evento por um jogral de discursos de lideranças partidárias e de movimentos populares, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), representado por Guilherme Boulos, pré-candidato a presidente pelo PSOL.

No início do ato, foram transmitidas ao vivo, pelo telão do auditório, imagens da Vigília Lula Livre, que mantém pressão permanente pela libertação de Lula do lado de fora da PF no Paraná. Em coro, a militância que acampa no local desde a chegada de Lula desejou boa noite ao ex-presidente, como tem feito todos os dias.

A presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, reafirmou que Lula é o candidato do partido para estas eleições, e terá sua candidatura confirmada em 15 de agosto, prazo final da Justiça Eleitoral para registro de candidaturas.

“Nós podemos registrá-lo, podemos manter a candidatura de Lula, pois ele é inocente e está no gozo de seus direitos”, disse. “Lula é a grande liderança popular deste país, o único capaz de conduzir o país à paz social”, completou.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), lembrou que, desde o golpe parlamentar que interrompeu o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) em 2016, “o Brasil virou o país da incerteza jurídica”. “Fala-se da incerteza, da crise, da instabilidade. Lula é o único candidato capaz de acalmar o mercado. Lula é o nome que pode retomar a geração de empregos, e também os lucros das empresas. Ele precisa voltar pra reconstruir o Brasil. Não à toa já está preso há tantos dias e continua liderando as pesquisas de opinião”, afirmou.

“Estou emocionado desde ontem de saber que nós estamos aqui e Lula está lá, só. Mas também me emociono de saber que o sofrimento do Lula está mexendo com esse Brasil, e é disso que eu tiro uma certeza: que nós vamos vencer em outubro de 2018”, afirmou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

“Eu queria que ele tivesse aqui para dizer que ‘não é porque eu quero, porque o PT quer, mas porque o povo mais pobre desse país precisa’. O Brasil voltou ao mapa da fome, há famílias cozinhando a lenha porque o gás está muito caro e 170 mil estudantes deixaram a universidade desde o golpe”, ressaltou o senador fluminense.

O senador defendeu que, caso seja vitorioso nas eleições, o PT inicie um processo constituinte no Brasil, de forma a revogar os retrocessos impostos pelo governo golpista e realizar reformas necessárias para retomar o desenvolvimento social do país.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, anunciou que os sindicatos ligados à central articulam uma grande greve por todo o país no dia 10 de agosto, cinco dias antes do prazo da Justiça Eleitoral, para denunciar a condição de preso político de Lula e exigir sua liberdade para concorrer às eleições.

“Nós vamos tirar o Lula da cadeia direto para o Palácio do Planalto”, disse João Paulo, dirigente nacional do MST.

Confira o jingle de campanha de Lula, lançado nesta sexta-feira.

Carta de Lula

A ex-presidenta Dilma foi homenageada pela militância entre cada discurso, com coro de “volta, querida!” e “uai, uai! Que coisa boa, Minas Gerais vai ter Dilma senadora!”. A ex-presidenta mudou seu domicílio eleitoral para poder concorrer em Minas contra o pré-candidato ao Senado Aécio Neves (PSDB), reeditando a disputa presidencial de 2014.

Ela participou de ato com mulheres anterior ao lançamento da pré-candidatura de Lula. Durante o encontro Elas por Elas, que integra a agenda do Congresso do Povo –iniciativa da Frente Brasil Popular para apresentar propostas para retomar o desenvolvimento do país a partir de 2019– Dilma reafirmou a necessidade de fortalecer o feminismo no país para trazer mudança efetiva na política e na sociedade.

Dilma também leu mensagem escrita enviada pelo ex-presidente Lula à militância, que a ex-presidenta classificou de “manifesto ao povo brasileiro”.

“Há dois meses, estou preso injustamente, sem ter cometido crime nenhum. Há dois meses, estou impedido de percorrer o país que amo, levando a mensagem de esperança e de um Brasil melhor e mais justo, com oportunidades para todos, como sempre quis, em 45 anos de vida pública. Fui privado de conviver diariamente com meus filhos e minha filha, meus netos e bisnetos, meus amigos e companheiros. Mas não tenho dúvida de que me puseram aqui para impedir de me reunir com minha grande família, o povo brasileiro”, escreveu Lula.

“Juntos, soubemos superar momentos difíceis, graves crises econômicas, políticas e sociais. Juntos, vencemos a fome, o desemprego, a recessão, as pressões do capital internacional e seus representantes no país. Chegamos a ser considerado o povo mais otimista do mundo, aprofundamos nossa democracia e com isso atingimos o protagonismo internacional”, prosseguiu.

“Tenho certeza que podemos reconstruir este país e voltar a sonhar com uma grande nação. Isso é o que me anima a seguir lutando. Não posso me conformar com o sofrimento dos mais pobres e o castigo que está se abatendo sobre nossa classe trabalhadora. Os que me acusaram na Lava Jato sabem que mentiram, pois nunca passei uma noite no tal apartamento no Guarujá. Os que me condenaram, Sérgio Moro e os desembargadores do TRF-4, sabem que armaram uma farsa judicial para me prender, pois provei minha inocência no processo, e eles não provaram nenhum crime”, disse Lula.

“Sei do meu lugar na história, e sei o lugar reservado aos que hoje me perseguem. Sei que minha candidatura representa a esperança, e vou levá-la às últimas consequências”, concluiu.

* Com informações de Rafaella Dotta

Edição: Diego Sartorato