Para federação dos petroleiros, tucano favoreceu sócio, presidente do banco J.P. Morgan, ao antecipar repasse de US$ 600 milhões
por Redação RBA.

Pedro Parente

Para FUP, Parente causou prejuízo de R$ 40 bi à Petrobras com seu comunicado de demissão em pleno funcionamento do pregão

São Paulo – A Federação Única dos Petroleiros (FUP) ingressou com ação civil pública contra o ex-presidente da Petrobras Pedro Parente, por improbidade administrativa. A ação cobra a anulação do pagamento de US$ 600 milhões (cerca de R$ 2,2 bilhões) que a estatal, sob comando do tucano, fez em maio ao banco J.P. Morgan. A medida antecipou em mais de quatro anos a quitação de uma dívida que só venceria em setembro de 2022.

Pedro Parente é sócio do presidente do banco, José de Menezes Berenguer Neto, o que revela conflito de interesses. A mulher do ex-presidente da Petrobras, Lúcia Hauptman, é procuradora de Berenguer, com quem a família tem estreitas relações, segundo informa a FUP em seu site. O casal é sócio do banqueiro em pelo menos duas empresas (Kenaz Participações e Viedma Participações), e uma delas tem como sede um imóvel que pertence a Parente.

Na ação, além da nulidade da antecipação do bilionário pagamento ao banco J.P. Morgan, a federação cobra a responsabilização de Pedro Parente e do banqueiro José Berenguer e pede a indisponibilidade imediata de seus bens.

“Conclui-se que os réus violaram, além dos princípios constitucionais que regem a administração pública, os deveres de imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições, previstos no artigo 11, caput e inciso I, da Lei 8.429/92, por terem se valido do patrimônio de empresa estatal na consecução de interesses pessoais”, diz o texto do processo.

Segundo a entidade, a operação foi um “péssimo negócio” e injustificável sob a ótica da eficiência, dados os resultados negativos apresentados pela Petrobras nos últimos anos.

Gestão marcada

A FUP cita ainda outros casos em que acusa conflito de interesses envolvendo a gestão de Pedro Parente na Petrobras. E lembra denúncia feita há um ano ao Ministério Público Federal. Quando assumiu a presidência da estatal, Parente acumulou a presidência do Conselho de Administração da BM&FBovespa, cujos índices sofreram impacto por suas decisões em negócios da petrolífera, com vendas de ativos e desinvestimentos.

Também teria sido favorecida pela passagem de Parente pela Petrobras foi a Prada Administradora de Recursos, grupo de gestão financeira e empresarial presidido por sua mulher, Lucia Hauptman. A empresa atua como consultora de milionários no mercado de capitais. Parente é sócio fundador da empresa que, não por acaso, teve o maior boom de clientes e carteiras de investimento em 2016, após o golpe que o levou ao comando da estatal.

O volume de compras de ações feitas pela Prada saltou de R$ 403 mil, em dezembro de 2015, para R$ 3,2 milhões, em dezembro de 2016. Uma movimentação maior do que a comum no mercado.

Segundo a FUP, o MPF ainda não respondeu a nenhuma denúncia. A entidade associa ainda esses conflitos de interesses aos R$ 137 bilhões de prejuízos que a Petrobrás amargou durante os 11 dias de protestos dos caminhoneiros e os R$ 40,9 bilhões que perdeu com o comunicado de demissão feito por Parente em pleno funcionamento do pregão, antes do fechamento do mercado, como é padrão em todas as empresas de capital aberto.  

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