Crise

por Redação*

O País amanhece com mais de 300 bloqueios em rodovias. O governo ameaça com multas de R$ 100 mil e cita pedidos de prisão por ‘locaute’
Tânia Rêgo/Agência Brasil
Caminhoneiros

Caminhoneiros protestam contra o aumento do preço do óleo diesel

Passadas mais de 12 horas após a publicação do decreto que autoriza o uso das Forças Armadas para desobstruir rodovias, ainda há numerosos bloqueios de caminhoneiros na manhã deste sábado 26, o sexto dia de paralisação da categoria contra o aumento do preço do diesel. Segundo o último balanço do Ministério da Defesa, 132 pontos liberados pela Polícia Rodoviária Federal com apoio das Forças Armadas de sexta-feira para sábado. Mais de 300 locais seguem, porém, com algum tipo de retenção. Pernambuco e Sergipe decretaram situação de emergência, assim como a cidade de São Paulo.

Publicado na noite de ontem, em edição extra do Diário Oficial da União, o decreto assinado por Michel Temer autoriza o emprego das Forças Armadas no contexto da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) até o dia 4 de junho. Com isso, os militares darão apoio às forças policiais, como a Polícia Militar, a Polícia Rodoviária Federal e a Força Nacional, na liberação das estradas. Além disso, as Forças Armadas poderão requisitar veículos e levá-los para distribuição dos produtos que carregam, mas isso só será feito caso o dono do caminhão se negar a seguir viagem.

Após o anúncio do decreto, o movimento mudou a tática e passou a liberar faixas para a circulação de carros de passeio, ônibus e ambulâncias. Muitos caminhoneiros seguem, porém, parados nas estradas e acostamentos. A paralisação da categoria continua.

Temer e os ministros do gabinete de crise, criado para monitorar a greve dos caminhoneiros, reuniram-se no Palácio do Planalto na manhã deste sábado para avaliar as medidas tomadas para liberar as rodovias e reabastecer o País com os produtos retidos nos caminhões. Em entrevista coletiva, o ministro Carlos Marun, da Secretaria de Governo da Presidência, informou que o governo começará a aplicar multas no valor de 100 mil reais por hora parada às entidades que descumprirem o acordo firmado para desbloqueio das rodovias. Acrescentou que a Polícia Federal já tem inquéritos abertos para investigar a origem do movimento e que existem até mesmo pedidos de prisão.

“Hoje temos a convicção de que, além do movimento paredista, existe o locaute”, disse Marun. “A Polícia Federal tem inquéritos abertos para investigar essas suspeitas. E os empresários suspeitos serão intimados. Rogério Galloro (diretor-geral da PF) também nos informou que já existem pedidos de prisão. Estão aguardando manifestação da Justiça”, emendou o ministro, sem dar detalhes sobre os alvos da força policial.

A Rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, amanheceu com bloqueios em diversos municípios, como Santa Isabel, São José dos Campos, Jacareí, Caçapava, Pindamonhangaba, Lorena, Barra Mansa e Piraí, segundo informações da concessionária Nova Dutra.

Na rodovia Régis Bittencourt, que liga São Paulo ao sul do país, a manifestação ocupa uma faixa e o acostamento na altura do km 279, em Embu das Artes, região metropolitana. A Anchieta, principal via de acesso ao Porto de Santos, há protesto entre o km 22 e o 24, em São Bernardo do Campo, no ABC, segundo a concessionária Ecovias. O trânsito está, porém, liberado para veículos de passeio, motos, ambulâncias e coletivos.

No estado do Rio, caminhoneiros ainda se concentram em trechos de rodovias federais, mas sem interrupção do tráfego, segundo a Polícia Rodoviária Federal. Na BR 101–norte, nos quilômetros 70 e 75, em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, os manifestantes estão no acostamento, nos dois sentidos da rodovia. O mesmo ocorre no km 391 da BR 101–sul, na capital, onde embora os caminhoneiros estejam nos dois sentidos do acostamento, o fluxo de veículos de passeio está normal.

Os aeroportos também operam com restrição. Na noite de sexta-feira, ao menos 13 estavam sem combustível: Brasília (DF), Carajás (PA), São José dos Campos (SP), Uberlândia (MG), Juazeiro do Norte (CE), Maceió (AL), Recife (PE), João Pessoa (PB), Joinville (SC), Vitória (ES), Ilhéus (BA), Aracaju (SE) e Palmas (TO). De acordo com o último balanço da Infraero, atualizado às 13h deste sábado, 64 voos foram cancelados e 79 estavam atrasados, 10,17% e  12,56% do total, respectivamente.

* Com informações da Agência Brasil.