1x1.trans - MARCELO AULER - LULA: "CIRO TEM MAIS A RECEBER DO QUE A DAR AO PT"

Foto de Ricardo Stuckert

A decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de antecipar para o próximo domingo (27/05) atos públicos defendendo a sua pré-candidatura à presidência da República – “em todas as cidades onde existir um núcleo do PT, independentemente do número de militantes que se reunir”, como explicou o deputado Wadih Damous – é uma resposta aos petistas que falam em um acordo político com o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes. Isto acontece, em especial, com governadores do nordeste que buscam a reeleição.

No entendimento de Lula, Ciro Gomes “tem menos a oferecer aos candidatos petistas do que a receber deles” em uma aliança eleitoral. Entre petistas há o entendimento de que o pedetista busca uma vaga no segundo turno das eleições de outubro, o que ainda não conseguiu garantir. Ainda assim, ele fala em retirada da candidatura de Lula ou até mesmo de outro petista. O petista não tem intenção de receber, pelo menos por enquanto, o pré-candidato e a direção do PDT na cadeia.

Lula, nas conversas que mantém com os que o visitam, não esconde a irritação com aqueles que pensam em desfraldar a bandeira da aliança com o pedetista.  Desconsideram que ele, mesmo preso há mais de um mês, continua à frente – com larga margem de diferença – na opção dos eleitores. Já Ciro Gomes, como mostrou a última pesquisa eleitoral CNT/MDA, não ultrapassou ainda Marina Silva, da Rede.

Pela pesquisa, no cenário em que Lula é incluído como candidato, desponta com 32,4% das intenções dos votos enquanto Jair Bolsonaro (PSL) fica em segundo com o apoio de 16,7%. Em terceiro lugar surge Marina com  7,6% e Ciro Gomes, ainda que empatado tecnicamente com ela já que a margem de erro é de 2,2 pontos, aparece com apenas 5,4%.

Quando Lula é retirado da ficha apresentada aos eleitores, Ciro Gomes sobre para 9% mas ainda assim fica atrás de Marina, com 11,2%. Ou seja, em ambas as hipóteses ele ainda não garantiu a presença no segundo turno. Os candidatos petistas também ficam bem atrás: Fernando Haddad (PT), por exemplo, limita-se a 2,3%.

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Wadih Damous dando o recado de Lula na Vigília Lula Livre. Foto Eduardo Matysiak

Isto, porém, não assusta os petistas. Para alguns deles,  mesmo que a candidatura de Lula venha a ser impugnada por causa de sua condenação e da Lei da Ficha Limpa, não se deve descartar o seu poder de transferência de votos. Tal como aconteceu nas eleições de Dilma Rousseff – 2010 e 2014 -e do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, em 2012. Logo, acreditam que há chances concretas de um petista indicado por Lula chegar ao segundo até com mais facilidade do que o pedetista.

O lançamento da campanha no próximo domingo faz parte do plano de manter Lula na liderança das pesquisas para que ele, no mínimo, influencie e ajude algum candidato petista mais lá na frente. Já há quem esboce até o slogan da campanha: “PT no governo é Lula de volta ao poder”.

Terão que convencer aqueles que viram no governo de Dilma a pouca influencia que o ex-presidente Lula teve.

O recado de Lula à militância foi repassado por Damous. Este, depois de ter sido impedido pela juíza Carolina Moura Lebbos de atuar como advogado de Lula por ser deputado federal, ontem conseguiu ingressar na Polícia Federal de Curitiba, na condição de advogado do ex-presidente, após uma liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) em um Habeas Corpus impetrado pela Ordem dos Advogados do Brasil, seção Paraná. Foi uma das poucas decisões do tribunal contrariando decisão do juízo de primeira instância do Paraná.

Das proibições e impedimentos criados pela juíza que cuida da execução da pena de Lula, permanece a de não admitir uma diligência da Comissão especial criada pela Câmara dos Deputados. Contra isso, o presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) recorreu ao Supremo Tribunal Federal, mas nenhuma decisão foi tomada ainda.

Ao deixar a Polícia Federal no final da manhã desta segunda, Damous explicou aos participantes da Vigília Lula Livre que o ex-presidente  pediu aos movimentos sociais, a militância e lideranças políticas que se mobilizem em todos os estados do país para defenderem sua pré-candidatura à Presidência da República no próximo dia 27:

“O presidente Lula pediu que enfatizasse a todos vocês que no dia 27 de maio, é muito importante que cada cidade brasileira, cada comitê e cada diretório do PT se organizem para lançar sua pré-candidatura. Vamos deixar claro que Lula é o nosso candidato à Presidência da República”, afirmou Wadih.

Lula também rechaçou com veemência a proposta surgida de que lhe seja concedido um indulto. Como alega inocência e uma condenação sem provas, ele rejeita tal possibilidade.