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É tempo de natal, é tempo de chantagem. O prefeito de Manaus Amazonino Mendes, cassado em primeira instância pela insigne juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, não perdeu a atmosfera religiosa/consumista e mandou sua cena de quem há três anos não mudou nada na princesinha do norte.

Confraternizado com seus subalternos inaugurou a Cidade da Criança. Um local chamado por eles de área de lazer infantil. Na verdade, uma tosca imitação – se a imitação já é deplorável, imaginemos quando tosca – do que há de mais óbvio de amenidades no mundo da proibição imaginária. Um antigo horto de Manaus transformado em habitação de entes antropomorfizados pela mente capitalista de Disney. O terror das crianças.

Depois de ouvir o discurso de seu amigo funcionário Manuel Morrinhos Ribeiro, que já fora prefeito da triste cidade de Manaus cuja principal marca de sua patética administração foi criar praças com morrinhos, daí a razão do apelido, que em tom de ufanismo fantasioso disse que esses lugares serão a Disneylândia de Manaus, o prefeito cassado fez seu lamento.     

Mostrando um profundo descontentamento ele desabou seu lamento. Disse que não vai se candidatar à reeleição no ano de 2012. Uma decisão democraticamente bem vinda para o povo, um verdadeiro presente de natal, visto que em três anos ele manteve a cidade da mesma forma que encontrou, tirando as disneylândias,é claro.

Se a triste Manaus tinha uma face cheia de buracos, agora é uma verdadeira cratera. E não só nos bairros, mas também no centro. O transporte coletivo é outro convite para que ele não se candidate mesmo. Com uma das mais caras tarifas o transporte coletivo é mais uma violência que impede o povo de produzir cidadania. As constantes faltas de água e energia nos bairros são outros convites para retirada de sua candidatura. Os descasos com os prédios das escolas e o salário dos professores são outros convites. E outros convites que impõem uma cidade abandonada.

De lamento em lamento, Amazonino, acusou forças que durante estes três anos impediram que ele trabalhasse pelo seu povo. Forças que só acusaram seu governo (?), enquanto ele se mantinha calado. Por isso, ele estava triste e lascado. Pessoas e grupos de todos os lados só souberam criticar sua administração não vendo o que ele realizava.

Juntando o lamento/ressentido de Amazonino com o entendimento do que é infância do Manuel Morrinhos Ribeiro não havia momento mais significativo para ele declarar que não é mais candidato, que esse momento em que uma Criança vai nascer. Cristo sabe junto com o filósofo Baudrillard que a Disneylândia é uma simulação da infância para se acreditar que fora dela há um mundo adulto. Como sabe também, o que é polis, certamente com seu nascimento gostaria de encontrar uma cidade onde as crianças fossem felizes. Nada do que ocorre em Manaus. Tirando as políticas públicas do governo federal voltadas às crianças a administração de Amazonino não produziu nada para a saúde ambiental, social e mental das crianças.

Daí se aplaudir cristianamente a decisão de Amazonino.