Quando a polis grega surgiu foi devido as necessidades daquele povo   estabelecer relações políticas e religiosas. A cidade grega compreendia a organização de todas as famílias para a manutenção e preservação. Ela possuia um local chamado ágora (praça) onde as questões relacionadas à vida dos homens eram discutidas e solucionadas.

Noutros cantos bárbaros, cidades foram soerguendo-se. Na Europa, com a passagem e convivência do feudalismo com a nascente burguesia capitalística, esse modelo foi ganhando maiores proporções. A vida urbana a partir das crises européias e com o advento da revolução industrial na Inglaterra o homem passou a relacionar-se com uma cidade que vai oferecê-lo de tudo.

O capitalismo vai criar mecanismos de capturas do homem, ditando procedimentos e impondo formas de comportamento. Comportamento para o consumo e também para o alheamento, a não tomada de atitudes, ao servilhismo e  à imobilidade.

Manaus, que para nós a consideramos não-cidade, foge ao modelo grego acima mencionado. O local público onde se deveria discutir  temas relacionados à não-cidade, anula-se porque ali referenda-se as decisões do executivo municipal e poucas são as vozes contrárias na Câmara de Vereadores.

Neste blog já enumeramos várias características de Manaus que justificam o título de não-cidade. Mas a fundamental de onde saem todos os males é que ela sempre foi governada por famílias que mantiveram poder centralizador em detrimento da participação coletiva e disso resulta o alto índice de homicídios, tráfico de drogas, assaltos, falta de transporte coletivo, de atendimento médico-hospitalar satisfatório, educação reprovada tanto no nível fundamental, médio e superior como demonstrou o último ENADE com a maioria das faculdades sediadas aqui, falta de um plano diretor que fez com que a cidade transbordasse.

Manaus, a não-cidade é a única em que as casas andam e ruas se transformam em prédios particulares. Exemplo: A Casa do Eletricista foi construída numa apropriação de parte da Rua Barcelos com a Silva Ramos com a conivência da Prefeitura Municipal da não cidade de Manaus.  Ainda quando o português Eira governava por aqui, na Rua Silva Ramos, próximo ao Colégio Auxiliadora, uma casa avançou 35 cm sobre o passeio público e continua lá com seus porcelanatos reluzentes.

Nesta não-cidade, o pedestre arrisca a vida andando no meio da rua porque o passeio é tomado por carros que estacionam num total desrespeito às leis de trânsito.

Conhecemos  pessoas menos aquinhoadas que resolveram reformar ou construir casas de alvenaria, algumas modestas, outras não tanto, fruto das transformações econômicas vividas e proporcionadas pelo governo Lula. Talvez por denúncias, quando menos se esperava, os fiscais da antiga URBAN chegavam embargando a construção por falta da licença do órgão.

Em Manaus, a não-cidade, ocorrem fatos que não podemos deixar de questioná-los. Próximo ao 6º Batalhão, no Mutirão, há uma igreja da Assembléia de Deus e  um “largo” público. Primeiro construíram no “largo” um palco e agora está lá a lanchonete do Barroso. Tudo indica que a igreja ganha la babita orando e vendendo lo ranguito.

Um fato mais concreto que denega a cidade foi a violência praticada  contra um professor da UFAM pelo irmão do atual governador do Estado do Amazonas e que a título de indenização coube-lhe R$ 15.300,00 que foi recusado e repassado para uma casa que trata de crianças com câncer.

Pra finalizar, queremos noticiar, que na Avenida Autaz Mirim, antes Grande Circular, Zona Leste da não-cidade de Manaus, confronte a UBS Leonor Brilhante está sendo construído um prédio muito grande que populares declaram que será um shopping .

O que chama atenção é que no prédio,  pela Grande Circular não há nenhuma placa da Prefeitura com a licença onde indique o proprietário, o ramo de atividade, engenheiro responsável e valor da obra. Se por ventura, tal placa está para o lado do igarapé do Mindu que corta o Tancredo Neves, mesmo assim, indagamos: por que não está na Grande Circular.

Essa Avenida é bastante movimentada e ali passam diariamente deputados, vereadores e será que ninguém atentou para esse fato? Se por ventura, a placa esteja fixada  para o lado do Igarapé, o empreendimento cumpre o que determina a lei, caso contrário infringe-a.

A infração poderia ser estranha numa cidade, mas como trata-se de  uma não cidade, para os amigos os favores da lei, para os pobres o embargo da obra e os rigores da lei.