1x1.trans - A UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS CONTRA A VIOLÊNCIA FÍSICA E JUDICIAL SOFRIDA PELO PROFESSOR GILSON MONTEIRO

Na tarde de ontem, 17 de novembro, parte do Campus Universitário esteve voltada ao debate a violência na Universidade e também em um ato de Solidariedade ao julgamento do caso do professor Gilson Monteiro que após ter sido agredido covardemente enquanto trabalhava em sala de aula há dois anos e meio pelo irmão do atual governador do Amazonas Omar Aziz e por fim o julgamento não se mostrou democraticamente imputável. Isto pois o fato foi levado a judice e o Ministério Público Federal no Amazonas deixou o irmão de Omar sem uma punição mais severa, decidindo pelo pagamento pecuniário de 15 mil reais. Porém esta decisão ocorreu segundo o professor Gilson sem que houvesse em nenhum momento a consulta dele ou da universidade. E esta arbitrariedade também foi um dos motivos do debate.

Estiveram presentes diversos no debate estudantes de graduação e pós-graduação, professores de vários departamentos entre eles Maria da Conceição, Inara Costa, Tom Zé do Departamento de Comunicação Social e outros como Luis Fernando de Ciências Sociais, Francisco Jacob de História e Auxiliomar de História. Estavam presentes também o Deputado Estadual José Ricardo e o Vereador Waldemir José, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Cesar Wanderley, representantes do Sintesam, Andes entre outros.

Além da arbitrária decisão do Ministério Público Federal no Amazonas foi decidido a violência dentro da Universidade. A professora Maria Conceição comentou um dos fatores a falta de preocupação dos administradores e da reitoria em alguns pontos cruciais como a falta de vigilância, o esvaziamento do campus, e a falta de órgãos administrativos.

Sabemos que a universidade é destratada pela administração dos gestores universitários e que a mesma não se volta para a comunidade. Como em vários espaços a universidade , incluindo a do Amazonas, várias vezes se mostrou apenas uma reprodutora de saberes imóveis e para que a atuação profissional fosse feita sem nenhuma modificação das praticas constituídas do estado. Neste sentido esta discussão é ocupa um espaço neste desdobramento da universidade como criadora de novos conhecimentos  heterogêneos e de construção conjuta com toda a sociedade.

DA VIOLÊNCIA SOFRIDA PELO PROFESSOR GILSON

A violência decorreu do fato do professor ao lecionar sobre a omissão dos meios de comunicação de assuntos de interesse público, e exemplificou sobre o caso do governador Omar Aziz que foi investigado e teve seu nome incluido, e posteriormente retirado, na lista da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) da Pedofilia, e mesmo assim a mídia servil do Amazonas acobertou o fato.  Uma das que assistiam a aula era sobrinha do atual governador e ligou para o pai, desencadeando o ato nefasto.

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“Este evento é uma reação encabeçada pela ADUA, nosso sindicato, que após o resultado do processo no qual fui agredido, houve uma denúncia e a Polícia Federal fez o inquérito e o Ministério Público Federal no Amazonas propôs um acordo que previa o pagamento de três parcelas de 5 mil e 100 reais totalizando 15.300 mil reais. Isto foi considerado pelos professores uma afronta e este ato público é uma demonstração de insatisfação da comunidade e traz a questão da própria violência na universidade. Junto com os professores a universidade tem que ser o espaço violentamente para quebrar os muros dos conhecimentos já estabelecidos, para criar novos conhecimento, mas que houvesse um processo continuo de avaliação de toda comunidade de como o conhecimento se dá dentro e fora da universidade. Temos que buscar a violência pelo respeito aos outros e temos que ser ’ virulentamente’ defensor do respeito aos outros e as diferenças. A universidade deve discutir, temos um problema da invasão da USP, da Universidade Federal de Rondônia onde dois estudantes foram presos pois fizeram uma charge do reitor, então chegamos neste ponte e não dá pra aceitar atos de violência deste tipo e ficarmos calado. Temos que recrudescer em favor dos estudantes da Universidade de Rondônia, professores, técnicos e todos estudantes do país inteiro,e podermos nos rebelar por melhores condições de trabalho. A discussão não é centrado só na violência, mas na melhora das condições de trabalho pra nós professores, os estudantes e técnicos. Quanto a estes fatos estávamos tímidos, mas começo a ver uma reação e demonstra que tem uma vontade firme de uma sociedade melhor e mais justa, e esta manifestação é um bom início. Hoje tem uma manifestação com um grupo de estudantes expressando-se culturalmente na entrada, outro grupo aqui discutindo e este é o coração da universidade e que me deixa muito feliz. Agora quanto a proposta e acordo do Ministério Público, o departamento de jornalismo nunca foi ouvido, eu nunca fui ouvido e a universidade diz que nunca foi ouvida. Depois o Ministério pediu que o departamento se manifestasse e o Departamento de comunicação negou duas vezes e na última vez destinou os 15 mil reais a uma entidade que combate o câncer”

 Professor Gilson Monteiro

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Eu vim aqui prestar a nossa solidariedade, primeiro ao prof. Gilson pela agressão que ele sofreu, uma agressão covarde, dentro da sala de aula por parte do irmão do atual governador do estado, um ato repudiado por todos não só da universidade, pela sociedade, mas que não teve uma consequência no sentido de ter uma punição adequada. Provavelmente pelo que ele é, irmão de um governante, certamente não houve um grande interesse das autoridades fazerem uma punição. Se fosse uma outra pessoa certamente teria um tratamento diferenciado. Também a solidariedade a todos estudantes, professores, professoras, trabalhadores aqui da universidade que também sofre a violência no dia a dia nos serviços públicos, falta de segurança, falta realmente de uma atenção melhor nesta questão da preservação de sua integridade e muita vezes até agressões que sofrem, verbais contra os seus trabalhos, as suas opiniões. Eu vejo em tempo vir trazer uma reflexão para a falta de segurança de um modo geral no estado do Amazonas onde falta uma política adequada de segurança pública onde devirá não só investir em armamentos para sair correndo atrás dos assaltantes, botar na cadeia e esquecer na penitênciaria, mas paralelo ter um investimento na prevenção, nas políticas para a juventude na área da cultura, do lazer, do trabalho. Você tem muitos espaços na cidade, conjuntos novos que mesmo o governo constrói e depois não oferece nenhuma infra-estrutura. Bairros inteiros que não tem uma quadra de esporte, onde não tem uma atividade cultural, nem atendimentos de saúde tem e transporte é difícil. E lógico que o que pode se esperar para adolescentes e jovens quando você não oferece nesta fase tão importante do desenvolvimento de sua vida, sem falta de referencias positivos, e aí temos muitos jovens envolvidos na marginalidade, tráfico de drogas e terminam na penitênciaria. Entao solidariedade a todos que lutam por justiça, por segurança, mas também por políticas construtivas e sociais para todos.”

Deputado Estadual José Ricardo

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“Este evento foi decidido em uma assembléia da ADUA pois saiu o resultado do processo do professor Gilson depois de dois anos e houve uma grande insatisfação por causa da pena que foi dada ao agressor. A assembléia avaliou que o processo teria itens que poderia ser revisto em conjutura nacional e então houve uma comissão criando uma etapa de um ato político com participação do corpo docente, da comunidade universitária. Nós encaminhamos este fato para o ANDES, o nosso sindicato nacional, e ele está em uma instância e uma acessoria jurídica maior, podendo dar um novo entendimento e encaminhamento para instância superior, e certamante vão abraçar nossa causa. A gente acaba vendo este ato de violência específica do professor Gilson abre precedentes para que outras pessoas sejam agredidas também e isto acabe sendo visto como uma coisa normal. Achamos que o espaço universitário deve cultivar autonomia do conhecimento, reflexão política, liberdade de expressão que é próprio da universidade e este espaço deve ser preservado. E o que aconteceu foi um professor ser atingido na sala de aula pois estava dando aula e citou o nome de uma pessoa importante na cidade e assim convidamos a comunidade universitária em prol desta discussão mais ampla que é a questão da violência, insegurança.”

Antônio Neto- Presidente da ADUA (Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas)

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“Vejo que este momento é muito oportuno por que tudo indica que o processo judiciário não foi justo, por que simplificar a questão somente numa questão monetária é muito pouco pra uma pessoa que está montada no dinheiro e 15 mil reais, não é bom senso. Na verdade muito mais que as questão do dinheiro é a reflexão que este rapaz teria que fazer no sentido de compreender o erro que ele compreendeu e fazer uma auto-crítica e eu não vi em momento algum este tipo de manifestação. E este evento é oportuno pois ele reage a isto pois o julgamento não cumpriu o objetivo. E ai começa um reação para que esta situação não seja rotina na nossa cidade, e aqui é importante para a organização social, os professores, os estudantes e a sociedade se manifesta para que busquemos efetuar esta justiça e a constituir e garantir o espaço universitário que é realmente o espaço da diversidade de idéias, da crítica e por conta disto este fato não venha a tolir este espaço.”

Vereador Waldemir José