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No dia da comemoração dos 342 anos da não-cidade Manaus, onde a fantasia econômica comandada pelo projeto-prótese-industrial Zona Franca e o desperdício do dinheiro público, a presidenta do Brasil Dilma Vana Rousseff, compareceu para inauguração de uma ponte que sai de um lugar imaginário para se ligar com o ufanismo telúrico.

A ponte que teve um orçamento superfaturado, era para ser R$ 500 milhões, ultrapassou mais de R$ 1bilhão, por isso a ponte do desperdício, representa a fantasia da mística moderna que sobrevoa a lendária Amazônia e que atinge certos governantes abstraídos do real. A ponte-egoica não tem valor algum para a economia da propalada Região Metropolitana, posto que o Amazonas é um estado pobre em produção agrícola e pecuária. Em Manaus até cheiro verde é importado. Como a ponte da ilusão liga a não-cidade com municípios abandonado pelos governos estaduais ela sintetiza as imagens confusas de seus autores. O que Dilma só confirmou.

A Zona Franca de Manaus, que é apenas um pólo de montagem e não um parque industrial, conforme o conceito da economia atrai pessoas que acreditam ser a não-cidade um paraíso no Norte. O que está diretamente ligado aos problemas sociais que acometem a não-cidade em razão da forte migração. A ampliação da existência da Zona Franca para 50 anos que a presidenta realizou é uma moeda de barganha eleitoral. Todos os candidatos a qualquer cargo político no Amazonas ou à Presidência da República sempre a recorrem.

Como se fala na linguagem futebolística, Dilma só cumpriu a tabela do que já se encontra traçado. Se fosse o Serra presidente iria fazer o mesmo. Mas nunca analisam e explicam para a população o que cientificamente é a Zona Franca de Manaus em seu aspecto econômico real e social. Como “o medonho já aconteceu”, como diz o filósofo Heidegger, ninguém ousa tocar em tal  ícone ameaçador. Ninguém ganha eleição no Amazonas examinando a Zona Franca. Manaus é o único lugar no Brasil que para sonhar com desenvolvimento teve que criar um projeto de lei que o incentivasse, mas que não deu certo.

Estava claro que não iria se realizar. O desenvolvimento de uma região não sai de leis promulgadas, mas dos entrelaçamentos das forcas produtivas relacionas às produções naturais da agricultura, pecuária, extrativismo, indústria e comércio. Nada que ocorreu no Amazonas. Por pura irresponsabilidade e ignorância de seus governantes. 

O discurso de Dilma encheu o peito dos megalomaníacos levando-os às lágrimas patéticas. Dilma tocou em uma veia sensível para eleger calculistas. Falou em milhões de empregos, desenvolvimento do Amazonas, que a ponte é um “monumento à altura dos 342”. Dilma tem razão em falar todos estes predicados, porque ela não conhece a história triste do estado de Ajuricaba.

“Trouxe dois presentes.

Queremos que a Zona Franca gere empregos a milhões de amazonenses. Este é um reconhecimento da situação do povo do Amazonas e do que representa a floresta e a imensa riqueza de biodiversidade para o País.

Quando impedimos o desmatamento, criamos oportunidade de trabalho para o Amazonas. Aqui combinamos duas coisas, o crescimento e a preservação do meio ambiente.

A ponte é um monumento à altura dos 342 anos. Desejo a Manaus, ao Amazonas e ao povo amazonense um feliz aniversário”, discursou Dilma.