Para subsidiar os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, o governo federal vai produzir observatórios universitários que ficarão responsáveis por pesquisas sobre violências contra os direitos humanos.

Os observatórios universitários estarão ligados, conjuntamente com outras iniciativas acadêmicas, de acordo com Gilney Viana, coordenador-geral do Projeto Direito à Memória e à Verdade, da Secretaria de Direitos Humanos (SDH). Segundo ele, os “alunos podem fazer pesquisas, contribuir no sentido de uma leitura da história”.

Para Tatiana Ribeiro, professora de Direito Internacional do Centro Universitário Newton Paiva, onde será criado um dos primeiros observatórios, e coordenadora do grupo de pesquisa de direito à verdade, a SDH vai possibilitar a extensão das atividades desenvolvidas pelos alunos.

Vamos transformar esse trabalho em resultados práticos por meio de conscientização, levantamento de depoimentos, coleta de arquivos. Queremos alcançar os objetivos de nossa proposta, que é efetivamente garantir o direito à verdade”, disse Tatiana.

A SDH já instalou 20 comitês de direito à memória, à verdade e à justiça pelo país que acompanharão os trabalhos da Comissão da Verdade.

Eles são órgãos da sociedade. Vão buscar documentos, analisar depoimentos, explicar à sociedade o papel da Comissão da Verdade e, depois, poderão encaminhar à comissão as suas contribuições”, explicou Gilney Viana a função dos comitês.

Segundo Belisário dos Santos Junior, representante brasileiro da Comissão Internacional de Juristas, a sociedade brasileira entende a Comissão da Verdade como importante, por isso ela deve ser formada por pessoas isentas.

Essa comissão é um instrumento que pode ser bem ou mal usada. Se os membros da Comissão da Verdade não tiverem credibilidade, a comissão morre”, disse.