Polícia Estudantes ChileFoto: Martin Bernetti/AFP

Quando o multimilionário direitista-conservador Sebastián Piñera ganhou as eleições para a presidência do Chile, sabia-se que os avanços que a socialista Michelle Bachelet havia movimentado estavam em risco.

Um ano e três meses depois, na Educação, por exemplo, o que se viu e se vê são os cortes nos orçamentos educacionais integrado ao plano de privatização de “parte” da educação pública.

Contra isso, há duas semanas, centenas de milhares de estudantes protestam em imensas passeatas na capital, Santiago, e em outras cidades, como Valparaíso.

Além da exigência de mais recursos públicos para o ensino público, principalmente o nível Superior e da rejeição aos planos privatistas de Piñera, há também a denúncia e exigência de devolução de equipamentos públicos que estão sob poder do Ministério da Educação, servindo a fins privados. Os estudantes exigem ainda a ampliação da quantidade de passes escolares oferecidos.

As medidas que Piñera levou a cabo demonstram quão cabal é a forma da direita governar. O ministro da Educação do Chile, Joaquin Lavin, resolveu antecipar as férias escolares, que somente começariam no dia 8 de julho, para a quarta-feira passada (29).

Freddy Fuentes e Paloma Muñoz, que lideram duas das maiores entidades em defesa dos direitos educacionais no Chile, criticaram a decisão e não capitularam, organizando a maior de todas as manifestações nestas duas semanas de protesto.

E foi nesta manifestação ontem (30), em Santiago, que contou com a presença de cerca de 300 mil manifestantes, entre estudantes, professores e funcionários de escolas e universidades, além de manifestantes da área da Saúde, que a direita acabou com sua cabal forma de governar.

Primeiro, um grupo de manifestantes, antes do início da imensa passeata, atirou pedras em veículos e lojas. Eles foram presos pela polícia e pelos próprios estudantes. Estes explicaram que não passava de uma armação do governo e da polícia para legitimar a violência durante a pacífica passeata. E não deu outra, a polícia investiu de forma brutal com cassetete, gás lacrimogênio, spray de pimenta e jatos de água.

Segundo os manifestantes, no entanto, a truculência da polícia de Piñera só demonstra sua ineficiência em governar e só fortalece as manifestações, que continuarão durante as férias, explicam.

Essa ocorrência da direita chilena é a demonstração do perigo que para os avanços democráticos de um país, principalmente na América do Sul, qualquer guinada à direita. Pode ser cabal, mas somente para ela.