JUIZ CULPA DEUS POR TER LHE IMPINGIDO CANCELAR A UNIÃO DO CASAL GAY

A imaginação como fator supersticioso metafísico-teológico não opera na ordem dos princípios intelectivos. Ela sempre se coloca na frente de qualquer operação intelectual, porque ela é impulsiva. E sua impulsividade é uma defesa contra elementos recalcados que, se liberados, perturbam o estado consciente da pessoa, que terá que recorrer ao intelecto para tentar compreender o que se passa com ela. Aí, não haverá superstição-imaginativa que a proteja.

Todos os preconceitos são dessa ordem. Suas manifestações são apenas transtornos-defensivos, porque seus sujeitos não conseguiram sublimar de outra forma seus sofrimentos recalcados. Daí que não adianta tentar comunicação com essas pessoas pelos princípios intelectivos/racionais. Suas reações são simulações de existências em conflitos. Fingem ter o que não tem.

Por isso, não confundir uma operação de raciocínio, como chegar a ser outorgado profissional por uma faculdade, com uma atuação puramente racional. Um profissional com curso superior pode muito bem terminar um curso sem nunca ter operado racionalmente – não só um, mas a maioria -, isto porque as disciplinas dos cursos são apresentadas apenas como elementos instrumentais e não, racionais. Esse o motivo de se encontrar profissionais com curso superior frequentando a esfera metafísica. E dessa esfera enunciar conceitos que fogem ao princípio de realidade intelectiva.

Tomando esse quadro, entende-se porque o juiz Jerônymo Villas Boas culpou Deus por ter tomado a decisão de anular a união civil do casal homoafetivo de Goiás.

Deus me incomodou, como que me impingiu a decidir”, afirmou o juiz.

O juiz, incomodado por Deus, fez essa declaração com sinais paranoicos na Câmara dos Deputados no momento em que a religiosa – Ah!, se eles soubessem o que é religião! – bancada “evangélica” apresentava um ato de louvor à sua pessoa por sua tão ‘teológica’ decisão de anular a união do casal e proibir os cartórios da cidade de registrar união de homossexuais.

Jerônimo, que não tem nada do Herói do Sertão brasileiro, durante seu discurso diante dos seus pares, não economizou referências a Deus. Todo momento pronunciava seu nome e falava em fé – Ah!, se eles soubessem o que é fé! -, sem sequer desconfiar que quem exacerba um valor tenta esconder um impulso contrário. Por isso que Jerônymo afirmou que só teme “a Deus, não aos homens”. Por que um homem que tem fé precisa temer a Deus? Deus é causa de temor? Se Deus é amor, Ele não é temor. Se Ele é amor, não é tirano. Só teme o tirano quem precisa da imagem dele para dominar uma vontade que incomoda. Para isso, tirano é o santo remédio para controlar quem tem medo de ser livre.

Portanto, enquanto esses disangélicos não estudarem a Bíblia para compreenderem que ela é um tratado político da formação e organização do Estado hebreu, como diz o filósofo Spinoza, e que é exclusivamente enunciação dos princípios históricos e existenciais desse povo, o mundo vai ter que ouvir por muito tempo tantas blasfêmias.

Porque não estudam, não sabem que os profetas, principalmente Moisés, apelavam para imaginação do povo semita – que era inquieto – como forma de controlar seus impulsos e o levar a se dedicar à construção de uma sociedade particular. Para isso, também, era preciso mostrar que os outros povos eram inimigos e não deveriam ser imitados. Daí a proibição na Bíblia contra se deitar com pessoas do mesmo sexo, o que era comum em outras sociedades, sem condenação de qualquer deus. Muito menos de juiz e bancadas ‘evangélicas’.

É por não ter estudado a Bíblia que o deputado Garotinho, um disangelista juramentado, enalteceu a posição homofóbica do juiz Jerônymo, incitando-o a continuar em sua profissão de fé.

Essa desobediência santa nos inspira”, disse. Sabe-se muito bem o que inspira o deputado Garotinho.

1 thought on “JUIZ CULPA DEUS POR TER LHE IMPINGIDO CANCELAR A UNIÃO DO CASAL GAY

  1. Vocês certamente já ouviram falar de que melhor é ficar calado do que falar mal de alguém…
    Que defesa mais estúpida. Este juiuz, se é que pode assim ser definido, perdeu ótima e talvez única oportunidade de ficar calado…
    Olhem, eu sou uma pessoa temente a Deus e já citei por inúmeras vezes que o cargo de JUIZ deve ser atingido por vocação, por apostolado e para receber intuição divina. Essa desculpa inominável desse rapaz deixa-me boquiaberto, perplexo e sobretudo acreditando cada vez menos nos JUIZES que temos atualmente…
    SENHORES JUÍZES, rebelem-se e deem uma lição a essa desfaçatez…

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