Sabe-se que, tirando alguns poucos artigos, da mídia impressa de mercado como Folha de São Paulo, Estadão, Globo, revistas Veja e Época, entre outras símiles, sobra somente o nostálgico vazio antijornalístico. E, quando se fala na mídia televisiva, o vazio é total. E, mais ainda, quando alguma amenidade se mostra faceira, aí que o vazio se mostra concreto em toda sua inutilidade ao jornalismo disciplina cívica e serviço público.

A pompa patética que a mídia folclórica de mercado deu ao casamento da realeza desativada politicamente foi mais uma confirmação do saque jornalístico de como o jornalista/filósofo Mino Carta adjetiva essa mídia: mídia coluna social. Foram dias de total esmero na prática embasbacada da inutilidade. Altas borbulhanças, grandes frissons, rasgantes farfalhares de seda no salão dos inebriamentos, marca das salas fálicas dos editores.

Guardado em um mundo fantasioso que se desloca totalmente do real, o casamento de sua alteza o príncipe William, da Inglaterra, com a rica plebeia Kate, caiu como um bônus maravilhoso, como dizem os surrealistas, na bizarrice comunicante da mídia folclórica de mercado. Uma suntuosidade espectral dada a fusão/confusão da nobreza-impotente com a alegoria efusivamente infantilizada da menina sonhadora.

Nessa névoa hipnogógica da delusão, a mídia de mercado desfila saltitante sua inteligência mistificada pelos eflúvios dos contos da carochinha como se fosse a realização transcendente da potência da Vida. Escotomizada, não vê que a nobreza fantástica em seu ritual milenar não faz com que baixe o preço do peixe, e que a fome desapareça sob os refulgir psicodélico dos astros opacos. O ambiente nirvanesco das redações dessas mídias, que ainda se ilude querendo censurar Lula e Dilma. Muita pretensão cintilante.