SEGUNDA-FEIRA DOMINICAL

O dia das boas almas

# Khadafi, o ditador da Líbia por quase 42 anos de poder, alguns anos governando com intenções populares, encontra-se nesse momento seguro por tênue querer. Os insurgentes estão próximos de desfechar o ponto final de seus tempos imperiais.

A situação na Líbia, apesar de Khadafi afirmar o contrário – para ele tudo está sob controle -, está mais para o devir-povo do que para imobilidade molar que hoje é seu governo(?).

O povo quer a queda do regime. Esta é a nossa revolução”, gritava um número considerável de insurgentes. Enquanto cartazes com dizeres “a Líbia é a terra dos livres e honrados” eram afixados nas ruas de todas as cidades líbias.

Enquanto Khadafi desmentia tudo. “A Líbia está segura, não há conflitos, Trípoli está segura”, disse ele. E para contestar a decisão do Conselho de Segurança da ONU pela imposição de sanções e pedido de inquérito por crime de guerra contra seu governo, Khadafi afirmou: “O Conselho de Segurança não acredita que Trípoli é segura”.

Por sua vez, os Estados Unidos, por meio de representante maior, o presidente Obama, tenta se colocar à frente dos países que pretende auferir benefícios com a deposição do ditador Líbio. Uma trama já denunciada pelo próprio Khadafi e muitos analistas internacionais. Aliás, os Estados Unidos são os que mais desejam a queda do ditador, concorrendo com o povo líbio, só que com propósitos muitos diferentes. O povo Líbio quer ser sujeito de sua própria história, enquanto os Estados Unidos pretendem eliminar o povo líbio da história.

# Ontem foi noite do glamour, da generosidade – dos inúteis esnobes cuja única participação na existência é fazer gênero -, da comprovação de quanto o capitalismo predador só se imiscui onde há a certeza do lucro pela decadência. Noite de Oscar. A noite do vazio.

Tom Hooper, diretor da amenidade O Discurso do Rei, tratado pelos comentaristas acéfalos como melhor filme, ficou com o prêmio de melhor diretor. Não precisa imaginar os menos melhores que perderam (como elas falam: ganhar, perder). O ator escolhido foi o deslocado Colin Firth, da mesma amenidade que se quis séria. E, quem diria, a atriz que prometia ser uma artista, quando ainda era criança, foi eleita a melhor atriz, da patuscada Cisne Negro: Natalie Portman.

Assim caminha a humanidade do Oscar.

# Enquanto o documentário Lixo Extraordinário, que mostra o trabalho do artista Vik Muniz no aterro de Gramacho, no Rio de Janeiro, perdia para o documentário Trabalho Interno, dos diretores Charles Ferguson e Audrey Marrs, na disputa do Oscar, cinco mil catadores de lixo de Gramacho que vivem da coleta e reciclagem do lixo se angustiavam com a notícia do possível fechamento da lixeira.

O meu medo é o lixão fechar e eu não ter de onde tirar o sustento de minha família, que vem todo daqui”, analisou a situação Leandro Severo Azevedo. Leandro também protestou contra as promessas do governo, que disse que iria criar outras formas de atividades produtivas através dos programas sociais. “Até agora nada. Só promessas”.

Também preocupado com o desemprego, o catador Mário Luiz Martins, viúvo e pai de cinco filhos, analisou a situação através da Lei dos Resíduos Sólidos assinado pelo ex-presidente Lula, que diz que a partir de 2012 não haverá ninguém catando lixo em aterro, todos estarão trabalhando nas cooperativas.

Quando foi criada a Lei de Resíduos Sólidos, pelo presidente Lula, dia 2 de agosto passado, ficou estabelecido que a partir de 2012 não haverá mais ninguém catando em aterro sanitário. Então, nós temos só este ano para trabalhar no lixão.

Quando terminar, vamos trabalhar nas cooperativas recebendo coleta seletiva. Mas isso virou um gargalo, porque a coleta ainda não foi implantada”, analisou Mário Luiz.

As suaves nuances de nossa existência. Enquanto os catadores são exibidos no festival das ilusões, um dos responsáveis por suas existências de trabalhadores explorados nas sobras das urbes, suas existências reais são ameaçadas. É a ordem do glamour tentando desrealizar o que lhe incomoda.

# Mengão é Campeão do Peladão Carioca: a Taça Guanabara. Com gol do baladeiro Ronaldo, de falta – e que falta -, o time da Gávea – que não quis Zico como um de seus orientadores -, em uma demonstração primorosa, confirmando que o futebol carioca é um dos mais sofríveis do Brasil – só não perdendo para o do Amazonas, porque não existe futebol na terra de Ajuricaba –, goleou com um golzito o Buena Vista. Uma equipe limitada, mas com vontade e brio. Um placar digno de uma decisão de uma taça que há muito foi pedido seu fim.

O bom na conquista do Mengão é que ela confirma que a grana não tem valor real. Toda a grana que o Mengão gasta para formar uma boa equipe fica confirmada em suas partidas. E, no caso em questão, o campeonato carioca. Tudo se resume ao Rei Midas: Nada.

Parabéns, Mengão, você foi o único clube carioca que não entendeu o significado do vazio. Parabéns! Vamos comemorar pela portentosa conquista!

Enquanto isso, no campeonato bandeirante, o Coringão goleia, e o time do mascarado – é tempo de carnaval – Neymar empata mais uma e demite o técnico. Sempre o técnico é o mordomo.

E, no piscinão do Morumbi, o seu proprietário junto com o Periquito se afogaram no 1 a 1. Escore injusto. O tricolor deveria terminar a partida com 0. Já o Periquito merecia pelo menos um 0.

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