TEM OBAMA E OSAMA NOS PROTESTOS NA LÍBIA, DIZ KHADAFI

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Sufocado pela movimentação popular contra sua permanência no poder, o ditador Muammar Khadafi, cujas forças repressoras já mataram milhares e deixaram mais outros milhares feridos, mas que não conseguiram impedir que os rebeldes dominassem cidades importantes como Trípoli, Benghazi, Misrata e Zuara, entre outras, afirmou ontem que uma parte dos manifestantes que lutam para sua saída do governo líbio está a serviço do líder afegão e chefe da Al Qaeda, amigo/inimigo dos Estados Unidos, Osama Bin Laden.

Osama é o verdadeiro criminoso. Não se deixem influenciar por Bin Laden”, afirmou Khadafi, ao mesmo tempo que pedia para que seus aliados desarmassem seus opositores.

A acusação do ditador líbio contra Osama vem completar as referências bélicas das políticas de alguns seguimentos na ordem econômica mundial. Dias anteriores Khadafi acusou os Estados Unidos e seus parceiros do “Ocidente mercenário” de se encontrarem por trás das manifestações contra seu governo.

Khadafi, com suas acusações, fez um simples raciocínio para sustentar que Obama e Osama estão excitando os rebeldes para derrubar o poder do ditador líbio. Ele sabe que os dois personagens carregam interesses expansionistas e intervencionistas muito fortes. Todos os dois fazem parte da subjetividade fundamentalista do capitalismo. Um apoiado no mercado do capital puro e outro apoiado no capital teocrático. Signos referenciais encontrados na Líbia de Khadafi. Daí o raciocínio simples do ditador.

Para si, seus maiores inimigos são os dois personagens que perseguem as mesmas enunciações despóticas que ele, Kahdafi, perseguiu e ainda persegue. E não o povo com seu sentido de liberdade e valores democráticos. Isso, para Khadafi, não são princípios capazes de movimentar uma multitudo – como dizem Machiavel/Spinoza/Negri/Marx – a ponto de colocar suas existências em perigo, e chegar a um desfecho fatal, como já ocorreu com milhares. Para ele, a liberdade não é uma produção. A liberdade, que só se concretiza em democracia no encadeamento constitutivo entre as potências de todo um povo. Se há um governo que se responsabiliza por todos, por que protestar? Por que lutar por liberdade, se o governo garante a liberdade? Assim, imaginam governar os ditadores e os que não se mostram como ditadores. Os que simulam democracia.

Mas nessa disputa internacional pelo que a Líbia pode oferecer aos pragmáticos calculistas explorados de todas as nuances, onde o povo não conta, tanto Obama como Osama, estão gostando do que está ocorrendo na Líbia de Khadafi. Mas se mantém com calculada sutileza diante da Líbia, do povo, o protagonista do maior movimento transfigurador de um quadro que se acreditava eterno. Nisso, os dois compõe os mesmo corpos. E não importa se um com corpos compostos de partículas puro capital, e o outro com corpos teocráticos. No fim, o corpo é o mesmo: o capital.

Já houve um tempo em que os Estados Unidos e a Europa acusavam Khadafi de ser o grande perigo para a paz no mundo – como coisa que paz fosse ausência de guerra. Hoje, todos só plagiam Marx: quando a história se repete é em forma de farsa. Enquanto o povo líbio está constituindo a história como Novo.

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