Preocupados com as ameaças de morte que vêm sofrendo pelo crime organizado, além de entenderem ser necessário aumento salarial, os juízes federais do Brasil vão se reunir em assembleia no dia 24 de março para estabelecer ou não um indicativo de greve ou paralisação da categoria. Foi o que afirmou o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Gabriel Wedy.

Não se surpreenderia se a carreira deliberasse por uma paralisação tal qual a feita na Espanha e em Portugal nos últimos três anos.

Estamos a cinco anos sem reajustes. Além disso, os juízes federais não compõem tribunais superiores e tem uma Lei Orgânica que os deixa abaixo do Ministério Público Federal (MPF) e da Advocacia-Geral da União (AGU)”, ajuizou o juiz Gabriel.

De acordo com o juiz Gabriel, são os advogados que durante 15 anos vêm sendo indicados para os tribunais superiores.

Quem traça as políticas do Judiciário nacional são as cúpulas dos tribunais superiores com as cúpulas do Executivo e Legislativo. Faltam juízes de carreira nos tribunais superiores para que possam traçar uma política satisfatória para a magistratura, que vem sofrendo um desprestígio”, analisou o juiz Gabriel.

O juiz Gabriel também comentou a insatisfação da categoria com a defasagem salarial que, segundo ele, foi a única categoria que não teve reposição salarial.

A única categoria que não teve reposição inflacionária dos subsídios são os juízes. Entre 2005 e 2010 tivemos apenas uma reposição das perdas inflacionárias de apenas 8,5%, enquanto a inflação foi de 32%. Foi um índice ainda baixo. Temos esperança que a presidenta Dilma resolva esse problema para que se reponham as perdas inflacionárias”, analisou Gabriel.