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A violência contra os direitos humanos provocada por policiais militares de Pernambuco, que obrigaram dois presos a se beijarem, gravada, inclusive pelos próprios policiais, propagou-se com grande rapidez pela internet, precipuamente no Youtube.

O ato dos policiais foi tão aviltante para os internautas que chegou ao pique de acessos. Mas, para o bem da consciência e dignidade brasileira, a maioria das opiniões dos que acessaram foi contrária ao abuso de poder perpetrado pelos inconstitucionais agentes públicos.

O vídeo mostra os policiais, na força de suas prepotências, com os presos impotentes diante das fardas, das armas e da indiferença com os princípios públicos de polícia, obrigando que eles se beijem na boca por repetidas vezes, além de um dos policias cometer o crime de racismo, chamando-os de macacos.

Diante do fato constrangedor para a maioria da sociedade brasileira, que não apoia abuso de poder cometido por policiais que violentam os princípios institucionais que regem o órgão público. É bom lembrar que o estado de Pernambuco, que tem uma população cultural e intelectual racionalmente esclarecida e atuante, tem como governador Eduardo Campos – o mais votado no Brasil nas últimas eleições –, um homem de esquerda que luta pela defesa dos direitos humanos.

Daí que a posição do secretário da Defesa Civil, Wilson Damázio, ao ver o vídeo e depois afirmar que o que viu é “bastante constrangedor”, e por isso vai identificar os policiais envolvidos, investigá-los e, comprovado o crime, poderão receber penas de prisão domiciliar ou demissão do serviço público. Se realizada, mostrará que o governador Eduardo Campos tem propósito racional de não tolerar a violência contra os direitos humanos, tão disseminada no Brasil, como afirmam os relatórios das entidades nacionais e internacionais que trabalham com esse tema.

Foi assim que, diante desse quadro, a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Pernambuco (OAB/PE), através de seu presidente, Henrique Mariano, se posicionou contrária ao ato dos policiais militares, afirmando que é um ato estimulado pela certeza da impunidade, posto que a violência aplicada aos presos não tem nenhuma relação com o crime cometidos por ele.

Está claro que é apenas um abuso de autoridade baseado na certeza da impunidade”, afirmou Mariano.

As cenas filmadas pelos próprios policiais com seus celulares mostra a afinidade com as violências cometidas por soldados americanos que filmaram suas próprias violências contra prisioneiros no Iraque e que correu o mundo. O que confirma que a necessidade de causar dor no outro é universal. Nisso, a preocupação dos organismos dos diretos humanos se encontrar em ação em todo o mundo.

Mas há um signo que chama atenção nesse ato dos policiais militares obrigarem os presos a se beijarem, e na boca. O signo do beijo. O que representa o beijo para eles? Será que eles acreditaram que os dois presos tinham o mesmo sentido do beijo que eles, policiais, e se sentiriam humilhados aos se beijarem, pois sabiam que quem soubesse iria tachá-los de homossexuais, visto beijo entre dois homens, para os policiais, é ato gay, portanto imoral, repugnante e forma de castigo? Se for dessa forma entendido, é lógico se tratar de posição homofóbica.

Nesse seguimento, saltam algumas questões da ordem libertária, cultural e teosófica. Como agiriam estes policiais se pegassem o livre Maradona beijando um de seus amigos? E se fossem a um país europeu onde o beijo, culturalmente, entre os homens é comum (ao contrário do Brasil, onde alguns policias afirmam que a tortura é cultural) e não carrega nenhum signo moral de castração, mas, pelo contrário, afirma a consciência de alguém que não tem dificuldade de lidar com sua sexualidade? E se soubessem, teosoficamente, que Cristo, que não tinha qualquer relação com a opressão e nenhum medo dos tiranos, também beijava seus discípulos, como agiriam?

Um fato é real. Se encontrassem tanto ato explícito do beijar entre os homens, eles não tomariam o beijo como uma forma de castigo, já que o único objetivo do castigo é punir, assim como quem pune é ao agente moral. Mesmo que seja um castigo injusto, como afirma o filósofo Nietzsche.