A máxima relevante da dita política brasileira está calcada no maior truque do que se condicionou chamar poder (que em verdade é potestas: o governo pela força). “Para governar é preciso fazer alianças”. O que significa que nenhum partido político democrático pode governar sem se curvar aos interesses dos partidos fisiológicos. Os partidos, como dizia Weber, que vivem da política. O terceiro mandato do Partido dos Trabalhadores (PT) na Presidência da República fortalece esse condicionamento malsão à democracia.

Assegurada a presidência da Câmara Federal pelo deputado petista Maia, que conta com a maioria dos partidos políticos, principalmente o PMDB, o PT novamente resolve se mostrar, pelo menos no sentido parlamentar, um partido que não pretende quebrar a fórmula weberiana de conduzir o poder. Novamente se amesquinha diante do mais depreciativo para a democracia. A barganha do conluio que nega sua capacidade de construir outras formas de alianças. Uma deplorável prova de que, como partido político, não está fazendo a leitura mais elementar para sua sustentação como instituição política, que é conceber a inteligência da população brasileira, existindo hoje em estágio de maturidade social.

Escotomizado diante da inteligência da população brasileira, principalmente a que votou em Lula, e agora em Dilma, o PT afirma que vai apoiar qualquer candidato à presidência do Senado que seja do PMDB. Uma afirmação que confirma sua escotomização, porque o PT sabia e sabe que o único candidato do PMDB para o cargo é Sarney. Não tem outro.

Mas o mais deplorável é que, em sua escotomização política, o PT não concebe que a população sabe que ele já sabia que Sarney seria o candidato à presidência do Senado, e que, se usou essa ilógica – para o PT lógica –, era só para dissimular perante à população, que não tinha Sarney como seu candidato.

E o grande blefe fisiológico comandado pelo PT e o PMDB/Sarney, e que se configura de forma claramente incontestável, é quando Sarney afirma que não colocou seu nome para reeleição no Senado. “Não desejava ser presidente do Senado. Estou fazendo com grande sacrifício, mas apenas porque busquei que encontrassem outra solução e, em face do partido não ter encontrado, comuniquei que ele podia e tinha concordância para submeter meu nome à bancada”, afirmou Sarney, o vaidoso parlamentar que só perde em vaidade para Fernando Henrique, esse imbatível.

O PT sabia que seria Sarney o candidato, e que não há nenhum sacrifício para ele ser mais uma vez presidente do Senado, mas quis inverter para a população tudo como inverdade. Só porque o PT ainda não sabe de sua importância política para o país. E o quanto que pode coordenar decisões sem precisar ser cúmplice de posições antidemocráticas, como se submeter ao personalismo sarneyano, um personagem muito rejeitado por grande parte da população, que conhece sua biografia de homem que veio da ditadura militar, passando por todas as formas de articulações espúrias, tanto como senador quanto como ministro, e por três vezes presidente do Senado.

Mais uma vez o PT, ao apoiar Sarney, fortalece a máxima antípoda da democracia. A máxima dos que vivem de uma forma ou de outra da democracia, e não dos que vivem para a democracia.