Toda vez que aparece em âmbito nacional alguma questão que demonstra a degradação de instituições que deveriam assegurar a igualdade de direitos para todos os cidadãos no Amazonas a imoralidade, principalmente com o dinheiro público, é muito maior. Na linha da luta da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para acabar com as pensões vitalícia para ex-governadores, o Amazonas revelou que não apenas políticos receberam estes funestos proventos.

Na lista de sete nomes começada em 2001 aparecem os nomes dos poetastros amazonenses Luiz Bacellar e Thiago de Mello, o cantor e compositor Chico da Silva e o ventríloquo Oscarino Farias Varjão (conhecido pelo boneco Peteleco). Além destes, recebem desde esse ano também o ex-deputado estadual Paulo Pedraça Sampaio, o ex-vereador Moisés Pantoja de Lima e filhos do líder do movimento negro no Amazonas, Nestor José Soeiro Nascimento, já falecido.

Como a Lei que institui as pensões vitalícias é da década de 70, não se sabe realmente a imensidão da quantidade de apaniguados que recebem o privilégio. Em se conhecendo o Amazonas e a história de sua classe política, sabe-se apenas que é uma imensidão. Sabe-se também que somente para estes sete os valores recebidos variam entre R$ 2 mil a R$ 4.503, contabilizando um total de R$ 234 mil anuais.

Não pedi essa pensão, assim como não solicitei indenização por ter sido preso político. Nem sei de quem foi a iniciativa”, se esquiva Thiago de Mello. Mas o povo amazonense sabe que tanto dele quanto de Bacellar e Chico da Silva foram pedidas nada menos do que por Eduardo Braga. E por quê? Ora, devido à alienação de suas obras, onde o homem é uma abstração sem nada de real. A tentativa de se esquivar de Thiago de Mello revela mais ainda sua alienação. Quer dizer que o poeta mais branco que a torre de marfim parnasiana recebia um benefício público sem sequer saber de onde vinha?

Uma bagatela para três ex-governadores

Além destes citados acima e, provavelmente, centenas a se descobrir, as pensões vitalícias são pagas também a três ex-governadores do Amazonas. O primeiro é o ex-governador Vivaldo Frota, que ficou apenas um ano como governador, e que vai fazer no próximo mês de março 20 anos que recebe seus R$ 17 mil.

O outro, como não poderia faltar nessa lista, é o atual prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, que foi governador por três mandatos, e recebe uma pensão no valor de R$ 20,2 mil. Amazonino, inclusive, abdicou do salário de prefeito, por ser menor do que a pensão.

Caso esdrúxulo é o de Eduardo Braga, que recebia a pensão vitalícia para ex-governadores mesmo sendo governador em exercício. A partir de fevereiro Braga anuncia que abdicará dos R$ 17, 1 mil, isso porque o ‘subsídio’ de senador, de R$ 26,7 mil, é bem mais robusto.

E a farra com o dinheiro público continua…

Como se sabe, em pleno período eleitoral no ano passado, precisamente no dia 13 de agosto, a Assembleia Legislativa do Amazonas (Ale-AM) aprovava a concessão, proposta de Belarmino Lins, o Belão, de uma pensão especial vitalícia para o vice-prefeito de Borba, Edivar Souza (PSDB), no valor de R$ 3 mil mensais. Detalhe: o salário do vice-prefeito é de R$ 9,5 mil.

Segundo Belão, a pensão se dava devido aos serviços prestados por Edivar ao município de Borba. Que serviço, hein, mano!? Edivar negou Belão, já que disse que a pensão era “um presente de Deus”. Ou Belão seria Deus? No Amazonas os políticos, e também seus parentes e amigos, são deuses; ou melhor, cada um é Deus.

E é provável que o número das aposentadorias, se entidades como a OAB e o Ministério Público não agirem de forma contundente no gigante do Norte, deva se agigantar, uma vez que o atual governador é bastante favorável, uma vez que em 2006 ele chantageou toda a imprensa e os Legislativo sempre subserviente votou na calada da noite uma aposentadoria para vice-governador no valor de R$ 20 mil, e que só foi revogada devido ao escândalo que suscitou.

Com a imprensa apaniguada e o Judiciário corrompido, é provável que sejamos os últimos a saber, como ocorreu das notícias de ontem, que só reverberaram por cá depois de sair na imprensa de outros estados.