DILMA VAI AO PROGRAMA “RODA VIVA” E EXIBE SUA FORÇA POLÍTICA

Dilma Roda Vivafoto: Dilma na web

Em tempo de eleição há uma prática comum dos candidatos a serem convidados para entrevistas em programas, sejam de TV, rádio, jornal e revista. Na maioria, são entrevistas apenas para conformar os responsáveis pelos órgãos de comunicação, visto que nada acrescentam ou influenciam eleitores. Algumas vezes porque são veículos de comunicação de pouca audiência, e outras vezes porque são veículos sem credibilidade junto aos espectadores, leitores e ouvintes.

No caso específico da disputa presidencial, veículos de comunicação como a Folha de São Paulo nada acrescentam tanto para o candidato José Serra, pelo fato dele ser eterno habitue do jornal, que representa a expressão reacionária da elite ignara de São Paulo. No caso da candidata da candidata do presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores, dos partidos aliados, e da maior parte da população brasileira, o fato torna-se mais claro. Os seus eleitores, que também são de Lula, não leem o jornal, e a maioria nem sequer sabe de sua existência. Daí que conceder entrevista para Folha de São Paulo não torna nenhum candidato mais ou menos enaltecido.

Já revistas como a Veja, Época, IstoÉ, por suas próprias configurações visuais e suas linhas editorias, são para os eleitores revistas de consultório médico e salão de beleza. Servem apenas para espera do atendimento. Quanto aos jornais Globo e Estadão, históricos defensores e propagadores dos credos do obscurantismo, nada podem oferecer de honesto ao eleitor democrata.

Como um caso à parte, a Rede Globo, com seu carnaval de inutilidade imagética que oferece aos telespectadores, é vista no mesmo plano que se mostra: uma dissipação fantasiosa do real. Aí sua anemia em não poder atingir os eleitores de Lula, e, no caso, Dilma. A Rede Globo é vista apenas como uma televisão que produz novela. Nada que expresse a realidade. Assim, o telespectador assiste a novela, em um universo distante do que tem em seu cotidiano: via existência social. Onde se alocam os pronunciamentos de Lula e suas políticas sociais, que, aí sim, lhe atingem.

ONDE A RODA É IMÓVEL

Ainda no tempo da ditadura, e alguns ano após, havia o programa Roda Viva, com um elevado grau de inteligência, honestidade e engajamento político. São inúmeras entrevistas impactantes com personagens carregadores de variadas formas enunciações que comentaram e analisaram o mundo atual. Passaram pelo programa filósofos, políticos de esquerda, cientistas progressistas, religiosos, educadores, cinegrafistas, teatrólogos, músicos, cantores, pintores, tantos outros, mas todos comprometidos com a produção de um mundo em que o homem possa ser mais racional para poder ser feliz.

Com o tempo, a TV Cultura, ao deixar de ser uma TV Pública para ser porta-voz dos governos do PSDB, o programa Roda Viva degenerou, passando a carregar uma linha editorial francamente reacionária. Local, nos último sete anos e meio, de conspiração banal contra o governo Lula. E o jornalista Markum teve uma atuação esplêndida na condução desse veículo de comunicação manipulado pela direita. Markum seguiu com acerto essa linha reacionária. Um jornalista que um dia brincou de ser de esquerda só podia ser um operário do PSDB.

Agora, sem Markum no comando do programa – por futricas no meio do partido da elite ignara -, Dilma, depois da apresentação do candidato da emissora, Serra, e da candidata do PV, Marina Silva, teve sua vez de ser entrevistada. Com uma postura livre e segura, impressionou logo no início do programa os entrevistadores. Até o representante da Folha de São Paulo, seu diretor-executivo, Sérgio Dávila, teve que se recolher a sua posição de funcionário a serviço da direita quando tentou confundir Dilma com o fantasioso dossiê de Eduardo Jorge, braço direito do governo Fernando Henrique. Ao ser inquirida sobre a quebra do sigilo dos documentos de Eduardo Jorge pelo funcionário da Folha, Dilma respondeu: “Enquanto vocês não demonstrarem as provas, é uma acusação infundada”. Uma grande parte da população brasileira sabe que as notícias sobre os documentos que a Receita Federal possui na investigação sobre o secretário de Fernando Henrique já foi publicada dede o fim da década de 90. Inclusive pela própria Folha. Antes Dilma havia afirmado que só não processou a Folha sobre o fantasioso dossiê que a Folha publicou com afirmação de Serra de que era da responsabilidade de Dilma o tal dossiê porque “respeita a liberdade da imprensa”.

Provocada por um dos entrevistadores se o fato de poder ser eleita com ajuda da popularidade do presidente Lula, ela poderia ser considerada “um poste”, Dilma sorriu segura e respondeu: “Compreendo que alguns queiram dizer que eu sou um poste. Agora, acho que isto não me transforma num poste”. Para atiçar a pergunta, Dilma disse que possui uma relação muito forte com Lula, e o quer como conselheiro e lhe “ajude a aprovar reformas importantes”. Dilma ainda se posicionou favorável ao casamento homossexual e comentou sobre o aborto. “Temos uma legislação no Brasil sobre essa questão e sou a favor de mantê-la. O que acho é que mulheres enquadradas naquela situação têm direito de fazer na rede pública, e se tem de tornar isso acessível. Senão fica a seguinte situação: mulheres ricas têm acesso a clínica, mulheres pobres usam agulha de tricô”.

A entrevista com Dilma feita pelo Roda Viva teve dois efeitos positivos. Um, que com a presença da candidata na TV Cultura e no programa, apesar de viver um malogro jornalístico, houve um impulso capaz de melhorar a programação da emissora. Já sendo vista como preocupada com sua qualidade. Outro, é que mostrou uma candidata muito bem segura no que pretende como presidenta do país. Suas respostas foram racionais, realistas e pedagogicamente explícitas.

Mas apesar dos efeitos positivos ocorreu um feito negativo. A frustração dos entrevistadores que pretenderam colocar Dilma em posição vexatória e não conseguiram. Na linguagem popular: levaram um banho de inteligência, engajamento e independência.

2 thoughts on “DILMA VAI AO PROGRAMA “RODA VIVA” E EXIBE SUA FORÇA POLÍTICA

  1. E mais uma vez ela mentiu a respeito de o seu “curriculum vitae”. Inclusive, a de terrorista ideo-comunista.

    Cordialmente, Milton Coradi.

  2. Coradi,
    Dilma não mentiu. Não foi ela que inventou esta patranha.
    Dilma, na época da ditadura militar, lutou pela democratização do Brasil, inclusive para que hoje este bloguinho, e também você, Milton, poder dizer o que pensa sem o risco de ser censurado, quando não torturado.
    Abraços intempestivos dilmeanos!

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