INAUGURAÇÃO DE VIADUTO EM COGESTIONAMENTO RECORDE ACABA COM TRÂNSITO

Durante a inauguração do novo viaduto construído pela prefeitura de Manaus, um novo recorde foi batido. Um congestionamento de grande dimensão interligou o viaduto da Av. Paraíba com o viaduto da Rotatória do Coroado. Tudo imobilizado, assim como a administração da prefeitura. Há uma grande ironia, já que um viaduto que foi feito para acabar com os congestionamentos cria um de proporções nunca dantes vistas.

O viaduto foi nomeado de “Gilberto Mestrinho”, outro grande conhecido na política amazonense que, sendo prefeito, governador, deputado federal e senador, destituído do cargo de governador pelo governo militar, não por ideologias políticas, mas por outras questões pessoais, assim exilado na Zona Sul do Rio de Janeiro na toda bacana Copacabana e além de tudo grande amigo/mentor de Amazonino. No espaço da rotatória, será construído um memorial em homenagem a Gilberto.

A prefeitura ainda esbanja que a obra foi feita em tempo recorde em 11 meses. Vale lembrar que a estrutura central do viaduto já estava totalmente concluída e entregue pelo ex-prefeito Serafim Correa, sendo que a nova gestão apenas fez as rampas de descida e a passagem subterrânea. Será que Serafim foi convidado para a “festa”?

Não há o que se festejar

Gente elegante, uma organização ponderada, tendas brancas para proteger as cabecitas em caso de chuva. Tudo muito glamour da direita amazonense. Com uma hora de atraso, foi feita a queima de fogos, com duração de vários minutos, brilhos mil resplandeceram o céu escuro de Manaus. Enquanto isso, vários quilômetros de congestionamento se acumulavam em todos sentidos do viaduto. A população de Manaus vibra… Vibra? A população não está em festa. como diria o arigó Belchior: “Não há motivo para festa, ora esta! Eu não sei rir à toa! Fique você com a mente positiva que eu quero a voz ativa (ela é que é uma boa!), pois sou uma pessoa.”

Primeiro que “aquela festa” não foi uma festa do povo, não apenas pela ausência de pessoas perto do viaduto, mas por que o povo não tem o que festejar. Se Manaus fosse uma cidade viva, transbordando formas de potência de alegria, o transporte coletivo não fosse uma forma corrupta de explorar o povo com uma tarifa de locupletação dos empresários e da prefeitura; se Manaus tivesse uma educação construtora de novas formas de compreensão, onde todos pudessem experimentar novas realidades; se Manaus tivesse ruas transitáveis, onde o passeio de carros, motos, caminhões e outros fossem repletos de júbilo e não de preocupações e avarias; se Manaus não sofresse com a falta de água mesmo sendo banhada com o maior rio do mundo, se Manaus… Mesmo que tudo fosse verdade, também não haveria motivos para festa, pois todo o dia a existência dos manauaras seria alegre e festiva.

Segundo que este viaduto foi feito pelo povo, pelo seu trabalho e pagamento de impostos (ao contrário do prefeito). A “festa” que causou o congestionamento não foi feita pelo povo, foi uma não-festa criada pela prefeitura como uma vaidade glamourosa. Homenagem a si mesmo, pois estamos acima de tudo, ainda mais com um viaduto grande destes. A prefeitura quer estar acima do povo. Tanto que toma decisões arbitrárias, como, por exemplo, recentemente retirar parada de ônibus do Amazonas Shopping por “pirra”, entre outras. A prefeitura crê que fazendo uma obra com o dinheiro público, gastando muitas toneladas de concreto, ferro, areia e pedra consolidará e continuará impondo sua forma de governar para sempre. Mal sabem que “tudo que é sólido se dissolve no ar”.

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