E PARA OS CASSADOS, QUANDO COMEÇA?

Uma palavra de ordem que salta naturalmente como enunciação de grande parte da população brasileira. Todavia, não se sabe de onde se originou. Entretanto, se sabe muito bem onde se alojou satisfatoriamente: na sinecura de muitos membros do parlamento e do executivo, e que quase sempre nem são carnavalescos, e muitos menos íntimos de Dionísio.

Já tornou-se hábito no Brasil decisões importantes, no universo da política, serem postergadas para depois do carnaval. E muitas vezes nem depois, tal a inoperância e indiferença destes profissionais com as causas públicas necessárias. O que faz com que a palavra de ordem, “no Brasil o ano só começa depois do carnaval”, seja entendida apenas como uma dissimulação anterior – antes do carnaval – para lembrar que no futuro – pós carnaval – “a coisa vai pegar”. Sem nunca pegar em função da disfunção profissional destes privilegiados da sinecura. E o Brasil continua em ritmo do antes do carnaval: parado.

Porém, sabe-se que para outros profissionais comprometidos com as causas públicas, o ano começa (trocadilho) quando o ano começa. O carnaval não é um marco zero propulsor das atividades dos brasileiros. O trabalho é exercido de acordo com as exigências da sociedade que não pode esperar em seu movimento pragmático.

Mas existem aqueles para quem o ano anterior nunca passou , e o posterior nunca chegou. São os chamados políticos que embora eleitos, encontram-se arrolados pela Justiça Eleitoral, suspeitos de recorrerem, para conseguirem ser eleitos, à atos tidos como crime eleitoral, onde o mais comum é o de “compra de votos”. Nessa situação, encontram-se em ansioso estado de iminente desfecho perturbador: a cassação definitiva. Estado que tira do corpo e da mente qualquer vigor e disposição intelectual para contestar “que no Brasil o ano só começa depois do carnaval”.

Um destes casos mais conhecidos do povo de Manaus, é o caso do prefeito cassado em Primeira Instância pela ilustríssima juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, Amazonino, que, amparado por uma medida cautelar, vive a angústia de à qualquer momento uma derradeira decisão jurídica venha lhe impossibilitar definitivamente de começar o ano.  O que lhe colocaria na posição contrária ao título da obra do escritor Luzeiro, “68, O Ano Que não Acabou”, com o cronos: “2009, O Ano Que Não Chegou”.

Como a população manauara comentando que passado dois meses, a gestão, ameaçada, de Amazonino, não apresentou nenhuma obra das colocada como peça de campanha eleitoral, infere-se que se 2009 não chegou, muito menos o carnaval. Aí, confirma-se o imponderável: “O Trabalho Está de Volta”, lema de sua campanha, não voltou, pois só poderia voltar, na melhor das hipóteses, se o carnaval tivesse chegado e passado. Como, no caso, não chegou, administrativamente, Manaus encontra-se intempestiva – nada a ver com o bloguinho, cujo intempestivo é da ordem da potência do filósofo Nietzsche.