Quê, quê, quê, quê

Olha quem vem chegando

Quê, quê, quê, quê

Olha lá quem já chegou

Seu Jacaúna, caboco bom na virada

No romper da madrugada

Os seus filhos equilibrou

Seu Jacaúna, caboco bom na virada

No romper da madrugada

Os seus filhos afirmou

Seu Jacaúna 01 por você.

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Foi lá no beco Coronel Bolsinha, no bairro do Zumbi dos Palmares, zona Leste de Manaus, que o Centro Espírita Nossa Senhora da Conceição se encheu de filhos e convidados para louvar o Caboclo Jacaúna na cabeça de Mãe Maria. Quando os tambores soaram e a roda se fez, entoando belos e sagrados pontos, as energias tomaram conta de todos.

Seu Jacaúna 10 por você.

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Seu Jacaúna 02 por você.

Pai João, Seu Gilson (Presidente do Terreiro) e Seu Jacaúna

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Seu Marinheiro e o vigoroso caboclo Sibamba

E assim que foi possível, no meio de tanta alegria e movimentos, enquanto diversas outras entidades eram louvadas e distribuíam suas bênção no terreiro, conversamos com Seu Jacaúna, que nos falou sabiamente de seus trabalhos, dos seus filhos, da prosperidade de sua casa e até da questão indígena no estado de Roraima:

Eu sou um cacique velho – não é cacique que chama, é furdunço, quer dizer, um “guia velho”. Sou muito pouco conhecido. Tenho poucos filhos. Todas as religiões têm as pessoas boas e as ruins. As boas até hoje estão, e as ruins foram embora. São poucos os lugares que eu vou. Estou nessa moça há 49 anos, desde pequena que a gente vem. A família dela era evangélica, não queriam, mas fomos lutando, lutando, até que chegamos aqui.

Seu Jacaúna 08 por você.

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Seu Zé Pelintra e Dona Jurema

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Eu sou de uma tribo lá de Boa Vista, de Roraima, a tribo Macuxi. Não são os de agora. São os antigos. Os antigos não são civilizados como os de hoje. Os de hoje já sentam, muitos já têm seus cadastros, até alguns são doutores. No nosso tempo não existia isso, porque a gente não podia se comunicar com o povo; era um medo, uma suspeita, que nem o povo negro, sempre tavam com medo de alguma coisa. Quando você não conhece, aí fica achando que somos bicho, que come cru. Era uma tribo inimiga dos brancos, por isso era pouco reconhecível.

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Pai Joel e Dona Jarina

Seu Jacaúna 17 por você.

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Mas tá tendo luta, até perto da Venezuela o povo tá em luta. Nós podemos ajudar, não do jeito que sempre querem, porque é assim: nada que você quer você pode”. Tudo é aos poucos, e tudo é com fé. Você sabe que até num copo d’água, se você tiver fé, você consegue; mas se você não tem fé, você pode tomar tudo o que quiser de remédio, nada cura, porque é no pouco, mas na fé que você consegue, é no lutar, é no dia-a-a-dia que você consegue. Tudo depende da fé, até nos estudos, aonde você vai, você tem que ter fé. Sem fé nada se constrói, porque Deus é de todos, não tem o branco, não tem o índio, não tem o preto, Deus é de todos. Não é que ele está distante, ele está bem perto, é o homem que desconhece o poder dEle.

Seu Jacaúna 18 por você.

Seu Jacaúna 26 por você.

Cabocla Brava

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Que as pessoas se amem mais, que se respeitem mais, façam uma união, que amem mais as crianças, que amem mais uns aos outros, porque sem amor fica tão desumano, fica pior que bicho, eles matam, fazem maldade, achando que o outro não é nada. Se houvesse mais amor, mais carinho pelas pessoas, mais respeito isso não acontecia, pois se sabe que há muito tempo acabou isso, acabou o carinho, os respeito pelos outros. Com certeza pra esse ano vem muitas coisas boas, muito axé, muita força, muita luz pra todos que tiverem fé, em primeiro lugar em Deus, depois nos guias. Acima dEle não tem ninguém, abaixo também não.

Seu Jacaúna 22 por você.

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Seu Roxo e Caboclo Ventania

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Que eles [os índios] tenham mais fé e lutem com igualdade, não um querendo ser mais do que o outro. Se houver uma união, logicamente que vão conseguir, sem que um diga uma coisa e outro faça outra. Numa briga, você tem de entrar pra ganhar e, não, pra perder. Em todo lugar existe isso, existem os sinceros e os hipócritas, que estão ali no meio de todos e tão traindo. Se não houvesse tanta traição, haveria mais prosperidade. Mas eles já conseguiram.

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A Umbanda tem segredo

Pisa na linha e não afunda

A Umbanda tem segredo

Entrei nas matas sem medo.

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Tem coisas que eu não falo porque não posso falar. Às vezes nem os que estão aqui no terreiro sabem muitas coisas, vão aprendendo aos poucos. É uma teia de aranha, quanto mais você procura desembolar, mais embola, mais ela vai ficando enrolada. Eu acho que o pouco falado é o pouco ganhado. O muito falado, às vezes, é pouco aproveitável. Eu só tenho que dizer muito axé, muita força, muita luz, que Deus abençoe não só os índios, mas todos do mundo do pecado, independente de quem for, do branco, do negro, do doutor, do presidente, que todos tenham coração. Todos são filhos de Deus.

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Seu Jacaúna 33 por você.

Cabocla Jurema na cabeça de Jandira

Nas matas da Jurema aonde Oxóssi mora

Tem uma caboca filha do rei Tupinambá

É uma caboca índia de pele morena

Que vem de aldeia pra saravá

É ela a Jurema, índia guerreira

Lá das matas de orixá.

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Eis que já se preparava para a distribuição da “jurema”, a bebida sagrada, que, como nos falou Seu Jacaúna, é um abençoado remédio para o cérebro e outras finalidades.

Seu Jacaúna 39 por você.

Seu Jacaúna 37 por você.

Caiu uma folha na jurema

Veio o sereno e molhou

Depois veio o sol

Enxugou, enxugou

E a mata se abriu toda em flor

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Seu Jacaúna 42 por você.

A fila se fez, e todos que quisessem, filhos e convidados, era só cobrir a cabeça com um pano verde e tomar com fé nos encantados e na força da jurema e seguir a cadência do ponto…

Seu Jacaúna 43 por você.

Eu vou beber minha jurema

Dê no que dé

Seu Jacaúna 44 por você.

Lá no pé da juremeira

Dê no que dé

Seu Jacaúna 45 por você.

Se a jurema for boa

Dê no que dé

Seu Jacaúna 46 por você.

Aqui mesmo eu bebo

Aqui mesmo eu caio

Seu Jacaúna 53 por você.

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Após isso o toque no tambor continuou cada vez mais contagiando a todas as entidades presentes que iam cantar seus pontos acompanhados pelos filhos de todas as casas presentes.

Seu Jacaúna 55 por você.

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Seu Zé Pelintra e Dona Herondina

O morro de Santa Tereza está de luto

Porque Zé Pelintra morreu

Ele chorava, ele chorava

Por uma mulher que não lhe amava

Seu Jacaúna 62 por você.

Quando vou descendo o morro,

Falo pra nega que vou trabalhar.

Boto meu baralho no bolso,

Meu cachecol no pescoço.

E vou para praça mauá!

Mas trabalhar, trabalhar pra quê?

Se eu trabalhar eu vou morrer.

Seu Jacaúna 61 por você.

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Seu Jacaúna 67 por você.

Seu Jacaúna 71 por você.

Seu Roxo na cabeça de Pai Acrísio

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Então chegou a hora de homenagear Seu Jacaúna por mais um ano trazendo alegria, força e toda prosperidade e todas as bênçãos para sua casa. E assim seguiu até o sol raiar…

Seu Jacaúna 75 por você.

Seu Jacaúna 76 por você.

Agradecido, agradecido

Seu Jacaúna, estou muito agradecido

Agradecido, agradecido

Seu Jacaúna, estou muito agradecido