Consciência coagulada é um enunciado do filósofo Sartre para significar o homem dos subterfúgios. Aquele que faz uso constante das fugas como forma de contornar a existência. O homem de má-fé: o que se esconde nas transcendências para não enfrentar o mundo. A insuportável conseqüência, jamais princípio. O cabotino, o covarde, o burguês. O sujeito dos projetos existenciais malogrados,

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CONSCIÊNCIA ANDRÉ EDUARDO

Foi esta consciência coagulada da direita que se mostrou (sempre se mostra) nos depoimentos do assessor do senador Álvaro Dias, e do funcionário da Casa Civil, José Aparecido. O depoente da direita, André Eduardo, perdido na impossibilidade de recorrer à má-fé, a fuga através dos subterfúgios, que estavam muito bem limitados, nos presenteou com o buraco negro da significância lingüística, expressando seu estado mental e sua realidade sensorial na rostidade da semiótica dominante. O muro branco da inscrição paranóica do sistema capitalístico com sua moral molar. O que não dá para esconder em razão da pulsação ecolálica: a repetição cruel dos regimes de signos imobilizados. A rostidade como subjetivação da dor se mostrava com maior contágio quando ele tentava garatujar um sorriso no canto da boca. A exibição da dolorosa vertigem. Plasticidade reveladora que eliminava a necessidade de ouvir as palavras usadas como argumentos de sua defesa. Triste sofrimento quando se quer ser verdade e se mostra o contrário.

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CONSCIÊNCIA ÁLVARO DIAS

Na platéia, seu chefe, senador Álvaro Dias, também sujeito da consciência coagulada, ricocheteava na rostidade buraco negro, tentando inutilmente escapar, recorrendo à má-fé com a transcendência: “Temos que investigar o substantivo: quem fez o dossiê, e a mando de quem”. Negação do tempo e espaço com sua expressão e conteúdo como ato dos depoimentos. A dor do projeto malogrado: nenhum homem pode fugir de seu acontecimento. O acontecimento do senador Dias é sua escolha de ter entregue os dados oficiais para a revista Veja. Tudo que agora tenta deslocar da investigação que lhe envolve. Como nenhum homem pode dissipar o real ao recorrer à lógica da inobservância, o senador era só sofrimento. Um homem abatido, procurando a todo custo se mostrar seguro e convicto de sua posição. Mas tudo só malogro. Suas vãs tentativas ricocheteavam em suas próprias palavras transcendentes de sua má-fé: suas viscosas fugas. Nada de escapar do destino que ele mesmo traçou pata si, mandando às favas o decoro parlamentar. Agora, ecoa em seus ouvidos, pois sua razão há muito foi abandonada, o enunciado de Sartre: “Todo homem é responsável por sua escolha”.

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CONSCIÊNCIA AGRIPINO MAIA

Tentando re-esculpir a auto-imagem que imaginou para si de um democrata, fragmentada depois que a ministra Dilma Roussef revelou ao Brasil sua genética política concebida na demagogia dos coronéis de barranco, que lhe permitiu durante décadas gozar dos privilégios matérias que este tipo de trono concede, o senador líder do PFL, Agripino Maia, fisgado em sua consciência coagulada, afirmou está vendo um desfile de mentiras. E que o que a sociedade brasileira (dele) queria saber, não ia ser revelado: quem fez o ‘dossiê’, e amando de quem. Como sabia que ali isso não seria revelado, ia depositar sua esperança na investigação da Polícia Federal. Visível subterfúgio para não assumir o erro de tentar confundir a democracia com intriga. Como diria o senador Cristovam Buarque, sem pauta para o Brasil, seu Agripino envereda pela única senda que sabe viajar: a intriga. O que ele chama de fiscalização e cobrança do governo Lula. Está longe o tempo, talvez jamais chegue, em que a imagem que o senador zelava como real para poder trocar com possíveis brasileiros incautos, seja restaurada par poder ser exibida como seu maravilhoso fator democrático.

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CONSCIÊNCIA ARTHUR NETO

Muro branco, cujas inscrições significantes ecoam em impulsivos clichês vazadores da voz, fala clonada da consciência coagulada da burguesia, o senador Arthur Neto baixou suas defesas afetivas e mostrou a inscrição rostidade de um sujeito aprisionado no imponderável. Dada sua compulsiva performance simulante, exibiu o rosto-inscrição: nada a fazer. Não há como pela má-fé recorrer a uma transcendência para eliminar o real do momento que jamais queria. Agora, estava ali, como joguete à mercê dos acasos e a das certezas de seus inimigos. Mesmo assim, recorreu às suas cartas-blefes, inseparáveis. A acusação engendrada por sua consciência coagulada onipotente: Dilma é a culpada! O ‘dossiê’ foi feito por sua ordem. Confundindo sua prática intrigante com democracia, tirou de si mesmo, sem perceber, uma depreciação contra o governo Lula: “A que nível chegou a democracia do Brasil”. Enfurecido em sua paraindignação, o maior indignado dos indignados, afirmou ter acabado seu respeito com o senador Tião Viana senador que suprimiu uma hora do dia acreano, determinando o único estado do Brasil a ter 23 horas , pelo mesmo haver lhe dito que André Eduardo entregara uma cópia do tal ‘dossiê’ a seu assessor. Encurralado e manietado como uma insuportável conseqüência, andava, gesticulava, pedia palavra, mas tudo era imponderável para si naquele recinto: muitas vaidades, desesperos e medos.

A direita, em sua consciência coagulada, blefou em inventar CPI, agora desliza em seu próprio visgo existencial.