DOS MICROFASCISMOS DOS GENOCÍDIOS PROMOVIDOS POR BUSH

1x1.trans - DOS MICROFASCISMOS DOS GENOCÍDIOS PROMOVIDOS POR BUSH

Nas guerras se organiza um exército para que com ele se invada e domine um território da maneira mais rápida e mais devastadora, o que resulta sempre em muitas mortes. Quando o trabalho acaba para um soldado, ele retorna à sua terra, onde agora, livre de inimigos, continua os percursos de sua vida civil, como se nada tivesse passado no tempo que esteve em combate. Pelo menos isso é tudo que o governo e parte do povo americano ver.

Entretanto como mostra uma reportagem publicada recentemente pelo jornal estadunidense The New York Times, estes soldados voltam da guerra perturbados, capazes de fazer qualquer coisa quando se sentem ameaçados e confusos, inclusive matar aos outros e a si mesmos inconseqüentemente. Foram registrados pelo jornal 121 casos de assassinato envolvendo veteranos do Iraque e Afeganistão. A maioria destes não recebeu ajuda psicológica quando retornaram da guerra, vindo a recebê-la apenas após serem julgados pelos crimes cometidos.

Em quase todos os casos, apesar da incredulidade de muitos civis e militares, a causa destes crimes está ligada ao fato destes veteranos estarem passando pelo Transtorno de Stress Pós Traumático (PTSD), um transtorno que vai além das bases psiquiátricas, pois o que acontece é um fenômeno psico-social ligado à realidade de um país que cria uma guerra traumatizante e o pior, uma guerra cheia de interesses, exploração e tentativa de manter o imperialismo decadente, sendo um afronte ao bom senso, fazendo os americanos perguntar: Por que lutamos?

Segundo relatos de familiares, médicos e soldados, este transtorno traz algumas conseqüências: comportamento paranóico, ansiedade, medo de um ataque, isolamento, uso de álcool e drogas, constante necessidade de estar com uma arma. Percebe-se nas palavras do psiquiatra Robert Lifton, que trabalhou com rap music com os veteranos do Vietnam que apresentaram este transtorno, a relação do trauma com a mudança do comportamento: “Quando eles passaram pelo combate, você tem que suspeitar imediatamente que isso vem tendo algum efeito, pois é uma experiência tão poderosa que desconsiderá-la seria artificial”. Relatos como este podem ser recebidos com muita desconfiança por pessoas que não vêem conexão entre a guerra e o comportamento homicida, como se pode ver nas palavras de um familiar de uma vítima: “Me desculpe, mas isto me parece um afronte, como se estivessem que usar a guerra como desculpa para a morte do nosso filho, mas o assassino nunca mostrou remorso… Seu avô, meu pai e muitas pessoas estiveram lá, fizeram aquilo e não lhes afetou”.

Vemos que esse tipo de guerra, na verdade um massacre genocida, é uma opção despersonificadora nas palavras da mulher de um veterano: “Eu coloquei uma pessoa no navio, levando-o pra lá e eles me mandaram de volta uma pessoa totalmente diferente”. A palavra de outro psiquiatra confirma isto: “Quando as pessoas são expostas a um sério trauma e não se tratam, isto é um sério fator risco para violência”.

Além dos crimes que a reportagem comentou, há inúmeros outros casos não percebidos envolvendo veteranos como desestruturação de casamentos e famílias, aumento de dívidas, dependência profunda de álcool, problemas em menor grau com a justiça. Embora os militares e o governo entendam a necessidade de se fazer um tratamento psicológico com os soldados que retornam da guerra, eles descrevem este serviço como sobrecarregado, desqualificado e inadequadamente pago, mas preferem deixar o serviço assim, pois têm outras coisas a tratar. O fato, entretanto, é que foi criado um conflito armado que envolveu cidadãos americanos e que têm deixando seqüelas individuais e sociais, onde uma das características é o pensamento xenófobo: qualquer pessoa árabe é potencialmente um inimigo ou um terrorista. De volta para casa, são os cidadãos americanos que se tornam alvo. E o pior é que quando retornam para seu berço, encontram a população amedontrada da mesma forma, com medo de um ataque terrorista, sem serem capazes de perceber que elas fazem parte do terror, assim como mostra Win Wenders no filme Medo e Obsessão.

É obvio que os soldados quando retornam a sua terra também voltam apavorados, fracos, inseguros e são jogados em um mundo paranóico, assim como disse o soldado Joshua Pol ao juiz que lhe condenaria por um assassinato: “Para te dizer a verdade, eu gostaria de ter morrido no Iraque”. Em outro caso, Sargento O’Neal não procurou auxílio psicológico com receio que o exército impedisse sua promoção, e algum tempo depois antes de seu segundo retorno ao solo iraquiano, acabou matando sua amante em um momento de raiva. Já no caso de Stephen Sherwood, que entrou no exército para conseguir um plano de saúde para sua mulher grávida (percebe-se que a causa dos problemas vai além de apoio moral à guerra, mas um caso social, e neste caso um caso da necessidade da saúde pública, já que o sistema de saúde americano é desumano) e que, uma vez na guerra, tirou uma licença para voltar aos Estados Unidos para o aniversário de um ano de seu filho. Enquanto estava comemorando, toda sua tropa foi morta, fato que lhe foi comunicado quando retornou à guerra. Meses depois quando voltou da guerra, matou a mulher e cometeu o suicídio.

Todos estes casos demonstram que, fomentando e exigindo os microfascismos cotidianos, nos Estados Unidos atualmente há um macrofascismo de Estado atuando não somente nações inteiras; mas isso é apenas o resultado do que o governo de Bush Jr. é internamente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *