A MÍDIA NÃO REFLETE A OPINIÃO PÚBLICA

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A mídia é uma instância social comunicacional organizada por códigos lingüísticos conceituais, imagéticos e sonoros emanados das relações individuais como fatos consumados ou imaginados. Como instância democrática, transportadora de enunciados coletivos, ela é uma disciplina cívica. Sua práxis carrega considerações semióticas auxiliares à construção da rede de comunicação entre os indivíduos necessária à veiculação de seus saberes produzidos por suas faculdades perceptiva, cognitiva, sexual, imaginativa, volitiva, afetiva, etc, quando de suas experiências singulares. Em seu processo de comunicação, ela procura realizar, em sociedade, o feedback de suas mensagens imprescindíveis à lógica e à ética da realidade referencial dos indivíduos na construção de suas cidadanias. Seus direitos e deveres democráticos. Seu ato de informar se realiza como alternância entre o in=dentro (saído dos encontros fora) com forma=imagem: combinações de códigos do sujeito produtivo. O homem poiético. O criador de si em comunalidade.

A OPINIÃO PÚBLICA

Opinião salta da palavra grega Doxa. Como enunciado político, opinião é um comentário sobre um fato, objeto ou idéia nascido da práxis social dos indivíduos quando da construção de sua realidade histórica. Carrega como elementos opinantes uma força intelectiva. Algumas vezes ocultada pela imaginação. O que faz com que o fato, o objeto e a idéia não sejam atingidas como conhecimento. Entretanto, a opinião sempre sai de um processual coletivo. Jamais individual. Mesmo quando se mostra apenas como um enunciado imaginativo, força um desdobramento cognitivo como inteligência coletiva. As sociedades em suas multiplicidades produtivas tecem e movimentam suas próprias opiniões singulares. Daí se encontrar as variações de realidades expressadas nos juízos saídos das experiências destas sociedades. Já pública salta do latim publicus como enunciado político a potência de si, por si, para si. A potência democrática. Encontro das potências liberdades individuais voltadas à produção do Código Civil. A constituição dos direitos e deveres socializados como cidadania. A comunalidade. Daí a máxima: o que é comum em todos. Comum porque sai, é produzido e endereçado a todos. De sorte que aquele que se apossa do público é alienado a esse público. Portanto, um corrompido.

A MÍDIA SEQÜELADA

É possível situar a mídia brasileira nestes dois enunciados? Com toda boa vontade, não. Ela não é uma instância social portadora de códigos comunicacionais atuantes como disciplina cívica. Ela não processa elementos educacionais como auxiliares à produção de cidadania. Ela não compõe o público potência/comunalidade. Ela está para ele como alienação, corrompida, seqüelada. Seqüelada não porque sofreu a ação de um agente patogênico que lhe alterou a essência. Não. É seqüelada por se tratar de uma tara democrática. Seqüelada perceptiva, congnitivamente não vê o fora. Existe em suas dores. Sempre foi assim. Sua pathobiografia, sempre contrária ao público, confirma seu espírito seqüelado. Seu corpo/fonte constitui-se de agentes teratológicos emissores de aberrações opiniáticas dirigidas ao controle do receptor. Monstros sádicos/persecutórios cuja principal missão é impedir que a mensagem teratológica seja decodificada para a fantasia catastrófica continuar prevalecendo. Daí o abuso do significante/ecolálico em seus enunciados sonoros/imagéticos/gráficos. O discurso da imobilidade. Tudo muito bem planejado por uma engenharia psicótica. Por isso, sempre persegue metodicamente um personagem cujos desejos coletivos confluem. JK, Jango, agora Lula. Teratologizar Lula para enfraquecer os desejos coletivos é seu delírio maior. Seu delírio capitalista de mercado. Mas não consegue. Congregam-se em orações Mainardi, Reinaldo, Jabour, Clóvis Rossi, Noblat, Cony, Mitre, Catanhêde, Leitão, Jô, Hipólito, Josias… E nada. Transfigura imagens, clama aos raios e trovões… Nada. É impossível uma subjetividade imobilizada no infantilismo da superstição aprisionada teratologicamente por monstros nazi/fascistas refletir a opinião pública. É impossível uma mídia paralisada por sua seqüela cultuada compulsivamente alcançar o movimento produtivo da opinião pública. Então, só lhe resta os mimos monstruosos. Quis ser Mercúrio, mensageiro dos deuses, sem suspeitar que os deuses têm seus caprichos. Agora paga a ousadia de querer usurpar um trono para ser tomada como uma deusa da sensibilidade e sapiência. Glória da ignorância.

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