1x1.trans - A  CORRUPÇÃO  MIDIÁTICA

Denomino corrompido um animal, uma espécie, um indivíduo, quando perde seus instintos, quando escolhe, quando prefere o que lhe é pernicioso”, afirma o filósofo alemão Nietzsche. Uma concessão pública é composta de elementos institucionais saídos dos princípios democráticos constituídos como direitos de todos. ‘Modus educantes transformador’. Desta forma, quando a Globo escamoteia, faz truncagem, altera fatos ela é apanhada pelo conceito nitzscheano de corrupção, cuja preferência pelo pernicioso direcionam suas atividades televisivas. Corrompida, ela pretende a corrupção do telespectador. Como o telespectador tem sua própria práxis de mundo, ele entra em choque com as pretensões perniciosas. Neste choque salta a sua independência sensível e intelectível impondo o fracasso a prepotência desta mídia em querer ser tida como Opinião Pública. Estúpido propósito. Corrompida não pode experimentar percepções novas, necessárias como elementos democráticos. Seu carrossel de áudio/visual é uma contínua justaposição de imagens vítreas, imagens congeladas sem força de deslocamento. O contrário da vida democrática exigente de movimento social transfigurador. Esta situação corrompida/imobilizante é facilmente compreendida quando imaginamos uma telenovela cujo tema, relações familiares, apresentam os personagens no interior da grade de programação da Globo. Eles se encontram nos programas matutinos, vespertinos e noturnos. Ou seja, interpretam nos jornais, no Faustão, Fantástico, Casseta, Casé, Galvão, Miriam Leitão, Jô… em todos os cantos, sem nunca se deslocarem. Daí, a Globo ser sua própria novela: A Corrupção Midiática. A anulação das percepções visual e auditiva e da cognição. Daí, a maior parte da população brasileira ser consciente deste fato e manter sua reflexão social autônoma. E por tal, ter votado em Lula.

DEMONSTRAÇÕES CORRUPTANTES

Ontem foi aniversário da tentativa de golpe midiático orquestrado pela Rede Globo contra um governo eleito e que, segundo as pesquisas mais pessimistas seria reeleito no primeiro turno da eleição daquele ano. Numa clara manipulação da programação de seu jornal, enquanto todas as outras emissoras davam as primeiras informações da queda de um avião da Gol, a Globo colocava em tela cheia, foto manipulada física e digitalmente do dinheiro apreendido com militantes do PT em São Paulo. O delegado Bruno (PF), que teve seus minutos de fama, foi o que entregou a foto aos repórteres, e a célebre frase que marcou a gravação do diálogo foi a de que ele pretendia que a foto fosse publicada no mesmo dia, no Jornal Nacional.

Na foto, o dinheiro foi empilhado de modo a parecer um grande bloco de dinheiro, o que na verdade caberia com sobras em uma maleta, e a foto ampliada em programa de edição de imagens. Questionado posteriormente sobre porque não ter dado cobertura ao acidente com o avião, Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globotária, e grande censor do Brasil, saiu-se com a desculpa de que não poderia ultrapassar a barreira ética e divulgar informações apressadas de um acidente de tamanha proporção. Algo no mínimo estranho para uma emissora conhecida por “urubuzear” e explorar à exaustão mortes de famosos e grandes tragédias.

O resultado da trama: a disputa pela presidência, que tinha tudo para terminar no primeiro turno, arrastou-se para o segundo. Aos poucos, a trama foi sendo revelada, sobretudo pela ação dos blogs (Vi o Mundo, do Azenha, deu o furo de reportagem com a gravação do encontro com o delegado Bruno) e da mídia alternativa (Carta Capital, com o dossiê, na semana seguinte, nas bancas, mostrando todas as etapas do golpe, desde a cadeira vazia no debate global – ao que Lula não foi – até a manipulação da imagem do dinheiro).

A mídia golpista, capitaneada pela Vênus Platinada, desde o início da campanha, dava mostras do desespero de perceber que as massas não eram suscetíveis às suas manipulações e opiniões biônicas de seus articulistas. Mas o golpe fatal, após mais de um ano de intenso bombardeio de factóides, em meio aos escombros e perplexidade dos opinionistas de cátedra vendidos ao chamado quarto poder, foi a participação firme de Lula nos debates do segundo turno, e a sua eleição, por massacrantes 61%, a despeito de todos os esforços midiáticos em contrário.

Somente esta tentativa de golpe, fartamente documentada já é justificativa para a não renovação da concessão de uma emissora que atentou contra a verdadeira opinião pública e as leis do país. E se se levar em conta a manifestação das maiorias silenciosas, sobretudo nas eleições – e que continua inclusive nas atuais pesquisas de opinião que mantém os níveis de aprovação e popularidade do presidente mesmo após as seguidas “crises” inventadas (aérea, e agora da saúde) – não é de se esperar que a não renovação da concessão seja não apenas uma possibilidade, mas um compromisso assumido no dia 27 de outubro do ano passado, data da derrota da mídia golpista no país, quando elegeu-se o presidente operário.

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