i iNDA TEM FRANCÊS QUi DiZ QUi A GENTi NUM SEMO SERO

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@ DESEMPENHO DA SÃO PAULO TUCANA NÃO ACOMPANHA O RESTO DO PAÍS, é o que afirma um estudo do economista André Urani, ironicamente apresentando no Instituto Fernando Henrique Cardoso. Segundo o estudo, enquanto no Brasil a renda cresceu 13%, a pobreza caiu 25,8% e a extrema pobreza despencou 62%, na capital que ama o jeito tucano de governar, a renda caiu 6%, a pobreza aumentou 19% e a extrema pobreza cresceu 2,8%. Indícios da administração voltada para o aumento da concentração de renda, a diminuição dos serviços públicos e a subserviência ao capital estrangeiro que caracteriza os burocratas tucanos. Assim como não entendem de ética, também parecem ter pouco conhecimento dos elementos corporais e incorporais que compõem a economia não como abstração numérica e fenômeno exógeno, mas que surge a partir das relações entre as pessoas na administração dos recursos públicos. I inda tem francês…

@ NA ARGENTINA, O ESTADO É LAICO e não tem medo da igreja. Nascida e moradora da cidade de Paraná, Entre Ríos, uma menor de idade e considerada incapaz mentalmente, vítima de estupro, conseguiu o direito de realizar o aborto, que nesses casos é garantido por lei naquele país. Não sem antes ter seu corpo transformado em campo de batalha entre o Episcopado Argentino e o governo. Sob ameaça dos eclesiásticos, os médicos de Mar Del Plata realizaram a operação necessária, para que a moça, com idade mental presumida em 04 anos, pudesse voltar à casa. A igreja convocou uma marcha contra o que chamou de “homicídio pré-natal”. O ministro da saúde e o governador da província de Buenos Aires vieram em defesa da lei, afirmando que “a verdadeira intolerância é pretender impôr a obrigação de ser mãe a uma mulher incapaz e acreditar que suas convicções religiosas devam ser seguidas por todos”. Ainda existisse e pudesse usar do seu humor ácido para examinar tais situações, Michel Foucault poderia apontar o fato como a luta entre dois discursos, ambos se pretendendo proprietários e produtores de verdades inabaláveis sobre o corpo. A diferença é que, cá, ao contrário de lá, a igreja continua dando a última palavra, a despeito dos esforços do ministro da saúde, Temporão. I inda tem francês…

@ AINDA SOBRE A QUERELA DOS LIVROS DIDÁTICOS, noticiada aqui nesta coluna na semana passada (aqui ou aqui), envolvendo o censor-mor do Brasil, Ali Kamel, e o livro de Mário Schmidt Nova História Crítica – Oitava Série. Desta vez, quem pisou na bola e caiu de quatro foi o PSDB, que tentou, em seu site aproveitar a situação para mais uma vez fazer propaganda contra o governo Lula. Na nota publicada, o ex-ministro da educação, Paulo Renato, teria entrado com uma representação na Procuradoria Geral da República contra a distribuição do livro, e disse que em sua gestão, a ideologia não era levada em conta na hora da escolha do livro didático. Só tem um problema: dias depois, descobriu-se que o livro – que na gestão de Lula, a pedido da comissão neutra, está sendo retirado da lista – foi colocado na gestão do próprio Paulo Renato, o qual, parece, só se preocupou com o caráter ideológico do livro anos depois, quando (equivocadamente!) achou que convinha. Com quantos Arthur Netos e Paulos Renatos se faze um Partido partido? I inda tem francês…

@ ELES INSISTEM, ELE DESMONTA. Em visita às futuras instalações da UFABC, em Santo André, pela trocentésima vez questionado pela falta do diploma, Lula explicou que, para governar, não é necessário ter diploma, e sim se saber “de que lado está, e para que lado se está governando”. Um recado direto para os doutores que sempre se decidiram pela subserviência aos desígnios da política internacional e da economia do subdesenvolvimento. Lula sabe que, mais que quilometragem em banco de escola, o conhecimento phatico, que só é possível a quem desenvolveu a capacidade afetiva-afetante de sentir o outro no plano da comunalidade, e não entrou na ordem da subjetividade laminadora dos afetos, onde o outro é uma abstração e a existência, um engodo, é necessário para uma gestão que altere efetivamente a realidade social e econômica das pessoas. Esta, certamente, FHC também não sabia. I inda tem francês…

@ ONTEM (27) COMEMOROU-SE O DIA INTERNACIONAL DO IDOSO. Em Manaus, a data não foi aproveitada pelos gestores das políticas públicas para discutir a produção subjetiva de um modo de existir que se categorizou como terceira idade. Não se discutiu como os enunciados produzidos pela sociedade capitalística produzem o idoso, suas doenças, suas limitações, inscrevendo nos corpos uma temporalidade que não é a deles. Talvez por isso Toni Negri, filósofo velho (não idoso), e que afirma que a aposentadoria é uma incoerência, pois considera a produtividade apenas do ponto de vista da produção da mais-valia, e não leva em conta a produtividade subjetiva que os corpos-potência são capazes, não é sequer conhecido entre os especialistas na “melhor idade”. Melhor para quem? A velhice é uma outra intensidade, um outro gosto, um modo diverso de existir, para que a sabe construir. Infelizmente, a máquina de triturar corpos e de anulação do agir produz corpos dóceis e aptos para as políticas tutelares eleitoreiras que se proliferam Manaus afora. Ainda bem que existem velhos como Dona Maria da Glória, Oscar Niemeyer, Waldir Pires, Eduardo Galeano e outros que escaparam à essa chantagem da temporalidade cronos. I inda tem francês…

Vamos que vamos

Pois ninguém chegou

De onde alguém fugiu…

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