A VEREANÇA E AS ESCOLAS ESCOLADAS DA SEMED

Depois que o presidente da comissão de educação da CMM, vereador Brás Silva, antecipando-se a qualquer investigação, absolveu o secretário Cyrino de envolvimento no caso das escolas escoladas (cinco posts abaixo) da zona rural, o Bloguinho Intempestivo, que já mostrou outras escoladas da SEMED, conversou ontem com o vereador Waldemir José, que deu alguns esclarecimentos sobre o assunto.

EFEITO DÉJÀ VU

Segundo Waldemir, não haverá movimentação dele e do vereador José Ricardo para a proposição de uma CPI da SEMED, por entenderem que dificilmente, na atual CMM, pelo apoio maciço que os vereadores dão ao prefeito, seria aprovada, como aconteceu com a finada CPI do Transporte Coletivo (aqui e aqui). No entanto, haverá mais uma reunião na próxima segunda-feira, onde participarão o braço direito do prefeito, Dr. Marcus Barrus, Waldemir e Zé Ricardo, pela CMM, Brás pela comissão de educação e o federal Francisco Praça, na condição de cidadão. Dando continuidade a um trabalho que já vem sendo feito pelos vereadores petistas, o objetivo da reunião será propor uma discussão da política de reformas e manutenção das escolas do município. Segundo Wal, algumas situações existentes na administração da SEMED deveriam ser explicadas.

O FINO DA FOSSA

É sabido pela população que, pela ausência de um sistema de saneamento básico, em Manaus, o uso nas casas de fossas sanitárias é comum. O fato também é observado nas escolas. Na zona leste, as escolas Júlia Barjona Labre (São José) e Francisco Guedes (Tancredo Neves) tiveram problemas com suas respectivas fossas, sendo a SEMED informada pelos respectivos gestores. No entanto, na primeira escola citada a reforma foi feita, mas nada foi feito em relação à desobstrução da fossa. Já no Francisco Guedes, por três vezes a fossa foi reformada, e no entanto já houve diversas ocasiões em que as aulas tiveram que ser suspensas devido às constantes quebras, resultado de manutenção ineficiente.

DETALHES TÃO PEQUENOS… SÃO COISAS MUITO GRANDES!

O valor da reforma padrão de uma escola, segundo o vereador, é o mesmo gasto na construção de uma nova. Considerando que a média de alunos por sala de aula nas escolas do município é de 45 a 50 alunos, seria mais eficiente uma política de reformas e manutenções que possibilitasse o uso desta verba para construção de novas escolas, ao invés das constantes reformas nas já existentes. Além disso, não há nas escolas nenhum tipo de recurso ou equipe de manutenção para dar conta dos pequenos reparos que surgem no cotidiano da escola, como torneiras quebradas, fechaduras emperradas, fazendo com que estudantes e professores convivam durante muito tempo com este tipo de situação. Outro problema apontado por Waldemir seria que as reformas executadas pela SEMED nas escolas seguiriam uma padrão pré-definido, e não levaria em conta as reais demandas de cada escola, o que evidencia o distanciamento da administração pública dos interesses da coletividade.

AS ESCOLAS DE AREIA

Em audiência pública realizada na CMM, com representantes do CREA, do curso de engenharia da UFAM, comissão de educação e SEMED, o vereador Waldemir José questionou o porquê de nos últimos 15 anos, as reformas das escolas terem se intensificado e ocorrerem em pleno período letivo. As respostas foram esclarecedoras. A SEMED responsabilizou as comunidades/estudantes, que, segundo a mesma, depredariam as escolas, pichando e obrigando a SEMED a realizar constantes reformas. Já a coordenação do curso de engenharia da UFAM afirmou que o problema estaria na própria estrutura das escolas, que estariam sendo construídas de forma a necessitar de reformas num curto prazo.

Como já mostrado aqui neste bloguinho, a secretaria costuma usar material de construção sem qualidade na construção das escolas, o que interessa às empreiteiras, que teriam vantagem tanto na economia do material usado quanto na certeza de que estas escolas, em pouquíssimo tempo, necessitarão de reparos que em outros tipos de construções levariam anos.

O bloguinho intempestivo continuará acompanhando este caso de irregularidade na gestão dos recursos públicos, e se o leitor intempestivo tem algum relato de escolas que se encontram na mesma situação, pode contactar pelo emeio e participar desse rizoma-comunalidade.

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