Malhação do Judas 02

De conformidade com que já vem mandando à tradição das crianças e adolescentes que compõem alegrias na sede da Associação Filosofia Itinerante (AFIN), na Rua Rio Jaú, N° 48, bairro Novo Aleixo, o Domingo de Páscoa foi além de pascoal. Foi, mais um domingo de encontro com o Judas Camarada.

Camarada, porque, ao invés de ser um simples ato muscular de desmonte do boneco que se passa pela indicação Judas, é uma composição lúdica, onde às crianças e os adolescentes distanciam o Judas, a-histórico, tido pela tradição dogmática como traidor, e passam à contracenar com o boneco por meio de diálogos, travessuras, além, é claro, de ter direito à fotos com o Judas Camarada.

Os percursos criativos das crianças e adolescentes, com o Judas Camarada, começam na apresentação dele para o público. Em seguida o público faz perguntas sobre o que ele traz de bom para platéia em seu Testamento, e ele responde. As respostas são dadas, algumas vezes, por um ator do Teatro Maquínico da Afin, ou por uma criança.


Depois o público faz varias perguntas sobre temas gerais. Como, qual seu time; por que a rua está esburacada, e cheia de mato, e lixo; quem vai ganhar as eleições para presidente – nessa Judas não vacila: Dilma! -; o que eles vão comer, e por aí vai.

Entrando em outra convenção, é a vez do Judas Camarada, fazer perguntas para a platéia. Perguntas como, qual a diferença dele, deste ano 2010, para o Judas de 2009; o que as crianças vão lhe dá de lembrança – em coro: couro! -; quem quer cantar uma música para ele, entre outras.

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Em seguida, ocorre a apresentação dos bonecos criados pelas próprias crianças, com orientação artística do afinado-artista, Alci Madureira, também criador do boneco Judas, que esse ano, segundo às crianças, estava horrível, comparado com o do ano passado. Na apresentação dos bonecos as crianças mantém diálogos com a platéia seguindo tema do momento.

Chega, então, o primeiro grande movimento. A leitura do Testamento do Judas. Esse ano as crianças receberam envelopes com um bilhete onde o Judas Camarada, deixa escrito a lembrança que o seu amigo vai ganhar.

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Exemplo:


Para meu amigo Guilherme (Guilherme, tem 4 anos).

Que o cinema é sua arte preferida

Deixo minha filmadora

Para filmar minha vida.

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Depois do Testamento vem o momento lúdico-gastronômico, posto que criança brinca, mas precisa comer. Esse ano, além dos chocolates, teve especialidades da Afin. Uma bola-gigante transada pela geógrafa-atriz, Lucicléia, e dois bolaços de chocolates, transados pelo filósofo-economista, Anderson, acompanhado de refrigerante, nada das Colas. Tudo com direito à reprise. “É preciso comer para aprender e brincar”.

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Barrigas cheias, hora das fotos para posteridade. Foram várias, como mostra o painel. Fotos com poses de quem tem intimidade com o Judas Camarada. O mais importante: ele atendeu todos. Em nenhum momento se sentiu chateado com tanta criança e adolescente. Que se diga, no momento, tinha mais do que nos dois anos passados. Prova que o Judas Camarada, está fazendo boas amizades.

Eis, que chegou o momento mais esperado. A malhação. “Afasta os menores que vai começar a porfia judalina”. Mas, já não era mais o Judas Camarada, era apenas o boneco de pano e de cabeça de isopor. Aí, o boneco voou no meio da arena. E tome correria, puxa pra cá, puxa pra lá, os menores já entraram, também, na fuzarca, todos querem uma parte do boneco, e o boneco, em sua santa disposição, aceita se oferecer, mesmo em pedaços.

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E tudo terminou bem, como sempre ocorre quando são às crianças e os adolescentes quem comandam suas criações. Foi mais um ano de malhação-criativa. Ano que vem, mais encontro, porque o mais necessário é criar perceptos: novas formas de ver e ouvir. E criar afetos: novas formas de sentir. Para depois se construir novos conceitos existenciais. O que pode processar democracia.

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Depois das crianças e os adolescentes rumarem para sua casas, ficaram os adultos da Afin, para realizar a faxina. Sem qualquer cansaço. Afinal, ia rolar um saboroso porco assado transado no mel e canela, acompanhado com umas geladas amargosas. “Pô, meu! A gente também ‘somo’ camarada do Judas Camarada, sacou, brother?”