PARALISAÇÃO DOS SERVIDORES DA SAÚDE NO CENTRO DE MANAUS

“Você pensa que a Saúde é besta / Saúde não é besta, não.”

Animação

A Praça do Congresso, tradicional local de encontro dos góticos, roqueiros e afins, nesta quinta-feira, 13, recebeu outra tribo vestida de preto. Armados de disposição, cartazes, canções e apitos, os Servidores públicos da área da saúde (SEMSA/SUSAM) deram início a uma assembléia geral que deflagra uma greve geral na área da saúde no Amazonas.

Multidão

Tomando conta de quase toda a extensão da praça, os trabalhadores se manifestavam, ora com humor, ora com palavras de ordem. No carro de som e no chão, as várias categorias que constituem a CNI – Comissão de Negociação Intersindical – marcaram presença e se organizaram para fortalecer o movimento.

Fazem parte da CNI: SINDSAUDE (Trabalhadores da Saúde), SINPEAM (Enfermeiros), SINFAR (Farmacêuticos), SINCOSAM (Agentes Comunitários de Saúde), SINDPSI (Psicólogos), Sindicato dos Nutricionistas do Amazonas, SINAD (Administradores), CUT, CRESS/AM (Serviço Social), Associação dos Fiscais de Saúde, Associação dos Servidores de Nível Médio e Fundamental da SEMSA, Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, Funcionários da Fundação Alfredo da Mata e SBS-SESAU (Servidores da SUSAM).

Cartaz I

Cartaz II Cartaz III

Cartaz IV Cartaz V

Cartaz VI Cartaz VII

No carro de som, o presidente do SINDPSI/AM, “Doutorando” Alberto Jorge, demonstrava sua paixão pela atenção do outro, monopolizando o microfone. No seu longo e subserviente discurso, elogiou o governador, pedindo-lhe à magnanimidade de fazer história novamente, depois do PROSAMIM (sic), e acatar o pedido humilde da categoria. Além dessa, também chamou à responsabilidade, um a um, os médicos que ele considera ícones políticos do Amazonas, e que não estavam presentes ao ato: Dr. Sardinha (fundador do PT no Amazonas), Wilson Alecrim (secretário de saúde do Estado, de Amazonino a ‘Guerreiro de Sempre’ Braga), Edson Ramos (presidente do CRM/AM), e LUCIUS BARRUS (que para quem não sabe, chama-se Marcus Barrus, e é atualmente a prótese-membro superior direito do prefeito Serafim). Para completar as “doutoradas” do doutor, chamou ao microfone (enfim!) o excelentíssimo vereador WALMIR (que para a maior parte da população, chama-se Waldemir José, vereador (PT/AM)). “Doutorando” Jorge, dizem fontes intempestivas, continua sendo psicólogo em regime de contrato de um hospital público infantil de Manaus, graças à função de presidente do SINDPSI/AM, que lhe garante imunidade, enquanto os desconcursados da SUSAM e SEMSA aguardam, sangrando, serem chamados.

Hoje, 14, aproximadamente 300 servidores, incluindo o doutorando, tentaram ser recebidos pelo prefeito Serafim, que não os atendeu. Foram, então, para a CMM, donde encontraram somente a vereadora Lúcia Antony e os servidores da segurança patrimonial. Mesmo assim, o doutorando aproveitou-se das câmeras para exibições de bufonaria super-heroística, que em nada têm a ver com o teor político do movimento (veja aqui e aqui).

No entanto, apesar de alguns oportunismos, o movimento mostrou sua força, e desceu a av. Eduardo Ribeiro, apitando, cantando e protestando.

Concentração I

Concentração II Concentração III

O Bloguinho Intempestivo, no meio da multidão, ouviu alguns engajados manifestantes sobre as reivindicações e sobre a condição da saúde pública no Amazonas:

“Este movimento acontece porque há 14 anos nosso salário está achatado, e é uma vergonha, mostra que os nossos governantes não têm interesse em fazer nada pelos trabalhadores da saúde. E ainda fazem a indignidade de dar aumento, quando dá, apenas para uma categoria, a dos médicos. Isto é uma indignação e nós não aceitamos, e nós, os sindicatos e toda a sociedade temos a responsabilidade de não fazermos vista grossa a tudo isso, porque isto é uma imoralidade, e nós não podemos mais ficar calados diante disso que eu chamo de vergonha nacional. Os nossos gestores fazem como se nós não existíssemos. Os funcionários mais antigos passam despercebidos, e quando nós pedimos reunião, nosso sindicato e nossa associação de funcionários do FCECON, nós somos ignorados, e isto não pode mais continuar. Tem que mudar este perfil de administração pública. É ridículo ignorar companheiros de anos e anos de luta, que adoecem, se contaminam, se irradiam e morrem sem nenhuma ajuda”.

“Eu gostaria de acrescentar ao que a companheira Lúcia falou, a questão dos altos salários da Fundação CECON, que até hoje o Ministério Público não se manifestou, e foi provado que é prática ilícita, e os funcionários da FCECON estão esperando, que há mais de dois anos fizeram uma denúncia sobre os altos salários dos gestores, que chegam a 36 mil Reais. Não houve resposta até hoje, e eles estão aí, sendo beneficiados”. Funcionários da Fundação CECON/AM

Marcos, representante do SINFAR/AM, nos falou sobre as negociações e as estratégias do governo para o enfraquecimento do movimento:

Nós estamos há 11 meses numa mesa de negociação, que é a mesa de negociação permanente do SUS. Ela foi criada pelos trabalhadores do SUS, dentre outras coisas, pra discutir o PCCS. Só que depois de 11 meses, vimos que a proposta do governo não era adequada, e chegamos na nossa última reunião, esta semana, com a conclusão de que ainda que a gente fizesse o melhor PCCS, não adiantaria, porque eles [os governos municipal e estadual] querem empurrar esse PCCS que a Prefeitura fez, e que pagou uma fortuna, mais de um milhão de Reais, para elaborar um PCCS, coisa que os trabalhadores da saúde têm competência pra fazer e fariam de graça, e foi pago para as fundações, as famosas fundações que só sabem pegar dinheiro. E a função deste PCCS qual é? É enxugar a máquina, é arrochar o salário dos trabalhadores. Só que os médicos saíram à frente na luta, conseguiram o reajuste, e este reajuste está sendo hoje negado para todas as categorias. Então nós estamos aqui pela nossa dignidade profissional, exigindo isonomia salarial, que é uma proposta do SUS desde 1990. Então nós não estamos na baderna, estamos seguindo todos os ritos de greve, amanhã (14) teremos uma assembléia no Sindicato dos Metalúrgicos, onde vamos lotar o sindicato, e vamos dar uma resposta a esse governo. E nós estamos reivindicando um reajuste de 54%. Veja bem: reajuste. Não é aumento, são as perdas salariais entre 2001 e 2008. Saúde não é só médico, não é só medicamento, é moradia, é condição de trabalho, é lazer, é alimentação. Isto é saúde”.

De acordo com o manifesto do CNI, a assembléia geral, realizada no dia 07 deste mês, e que contou com a presença de quase mil servidores, decidiu pela paralisação simbólica – o apitaço – na avenida Eduardo Ribeiro, centro de Manaus, nesta quinta-feira. As conquistas reivindicadas pela categoria médica não foram estendidas aos outros trabalhadores da saúde. A proposta que a CNI apresentou aos gestores da SEMSA e SUSAM inclui: 1) Encaminhamento do PCCS da SEMSA à Câmara Municipal até o dia 15/03; 2) Aprovação imediata do PCCS da SUSAM; 3) Reajuste salarial imediato, que inclua risco de morte, gratificação de urgência e localidade, com igualdade de salários para médicos e demais servidores de nível superior, R$ 2.310,00 para nível médio e R$ 1.509,20 para o Fundamental, além da incorporação das gratificações.

Pequena Grevista

Hoje, segundo o site da prefeitura, o PCCS da SEMSA foi enviado à Câmara.

Passeata I

Passeata II Passeata III

Sobre a situação dos servidores sob o ponto de vista da vereança, o companheiro Waldemir José, que não é Walmir, falou ao Bloguinho Intempestivo:

No meu entendimento, o movimento é justo, porque há mais de dez anos o quadro é de uma quantidade inferior à necessária de servidores na área da saúde, e o reduzido salário dos que lá estão. Por outro lado, o município vem aumentando a arrecadação durante este período. No entanto, não houve a distribuição desta arrecadação com os servidores de ponta, que são os professores, os da área da saúde, e neste sentido, esta movimentação aqui é vitoriosa, porque conseguiu reunir um quantitativo que poucas vezes se viu em termos de categoria em Manaus.

Do ponto de vista da CMM, hoje o prefeito não tem uma maioria, o que é favorável ao movimento. No entanto, os vereadores são sensíveis a alguns interesses que estão aí, e eu não estranharia se, caso não se mobilizasse essas categorias, lá passasse o PCCS que o prefeito quer. Então o movimento é justo, a greve também, não apenas pelo salário, mas pela própria dignidade do SUS. Na CMM, já existem dois votos declarados a favor dos servidores, que é o meu e o do José Ricardo. A Lúcia Antony (PCdoB) também está se aproximando… Então eu acho difícil um movimento desta magnitude não impor derrota ao prefeito. Ou ele sai derrotado no PCCS, ou sai derrotado nas urnas. Então ele deve se sensibilizar, deve abrir diálogo com os trabalhadores, abri os cofres para que os trabalhadores tenham a confiança de que ele está falando a verdade, e a partir disso, ele dar o máximo que é possível para a categoria. A concepção de saúde destes gestores até agora não tem passado pelo diálogo com os trabalhadores.

O nome dele não é Walmir!

Até o fechamento deste post, a Assembléia Geral que deflaglaria ou não a greve dos servidores ainda estava acontecendo no auditório do Sindicato dos Metalúrgicos, mas você acompanha todas as movimentações da greve dos servidores da saúde do Estado e do Município aqui neste Bloguinho Intempestivo.

E a�, vai encarar?

7 comentários a "PARALISAÇÃO DOS SERVIDORES DA SAÚDE NO CENTRO DE MANAUS"

  1. Deveria se normatizar através de lei, uma real isonomia de salários nacionalmente, evitando tão grande desigualdade de vencimentos entre
    os trabalhadores, que os governantes “Cristãos” não sei, pelo menos
    sejam “legais” no que diz respeito aos objetivos fundamentais da
    República Federativa do Brasil, Constituição federal:
    Art. 3.º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
    I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;
    II – garantir o desenvolvimento nacional;
    III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
    IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

  2. vale prefeito. grande aumento p os tecnicos, principalmente de enfermagem. va tomar vergonha na cara pq vc nunca mais ganhara nada aqui em manaus. tome o artur neto como exemplo. como pode aumentar apenas r$168,00 do nosso salario. sai fora serafim

  3. Será que um diploma de medicina, os deixa numa posição diferente na hora de evacuar????
    Também somos Trabalhadores e tambem nos alimentamos pela boca, por isso somos todos iguais, perante a DEUS e por que não aos homens?

  4. Companheiro Marceu,
    De constitutivos, os governantes não têm nada. São desconstituídos de potência comunitária.
    Pseudônimo,
    Seu recado está dado no post do dia 26. Valeu!
    MSN,
    Valeu pela observação da coprofilia institucional do saber-poder médico!
    Abraços a todos!

  5. Caros Amigos!!!!
    Sabemos que a categoria ta forte do que nunca e que não aceitaremos de maneira alguma a subordinação dessa PREFEITURA INJUSTA e
    que uma parcela de pessoas seja bebeficiada e outra não cadê a forma justa que seu PREFEITO SERAFIM sempre falou que iria governa MENTIROSO ,INJUSTO, IMORAL E PRINCIPALMENTE FALSO não só com nós mas até mesmo com ele que não sabe o que esta fazendo esquece ele que temos dirito de voto e que a cabeça dele ja ta rolando e tomara que nenhum compalheiro faça a besteira de votar nesse PREFEITO IMORAL!!!!!!!!!!!!!!!

  6. AMIGOS DA SAUDE !!!
    MAIS UMA VEZ DEIXO AQUI A MINHA REIVINDICAÇÃO QUE OS COMPANHEIROS
    REPASSEM O NOME DESSES VEREADOERES, QUE VOTARAM A FAVOR DESSA
    IMORALIDADE DESSE PCCS, QUE NÃO VALEU PRA NADA. TRAIDORES DOS
    SERVIDORES PUBLICOS DA SAUDE SÃO:
    ELIS EMANUEL, BRAS SILVA, FLÁVIO VEDOATO, MARCELO NÃO SEI DAS TANTAS
    POR FAVOR REPASSEM OS NOMES ……………..DESSES VENDIDOS!!!!!!!
    PARA A MAIORIA
    A MASSA QUE SAO OS TEC.DE ENFERMAGEM, AUX. ADMINISTRATIVO E NIVEL
    ELEMENTAR ESTAMOS TODOS EM LUTO POIS ISSO MOSTRA COMO SOMOS TRATADOS
    PELO SEU PREFEITO SERAFIM QUE SE DEUS QUISER VAI SAIR!!!!!!!!!!!

  7. Valeu, companheira Elaine!
    Mesmo com o fim da greve, a atuação tem que continuar, no seu trabalho, enfraquecendo os enunciados que impossibilitam a produção de uma sociedade saudável.
    Abraços!

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